quinta-feira, 27 de agosto de 2026

VIVER DÓI

 Homilia do 22º dom. comum. Palavra de Deus: Jeremias 20,7-9; Romanos 12,1-2; Mateus 16,21-27.

 

“Você não pensa as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens” (Mt 16,23). Como nós, seres humanos, pensamos a vida? A partir do perigoso princípio do prazer. Segundo esse princípio, viver significa experimentar ao máximo o prazer, a felicidade, e nos manter o quanto possível distantes da dor. Para o mundo de hoje, “a vida deve ser equipada de tal modo que ela esteja ‘armada’ a todo o momento para o confronto com a dor. O corpo que busca constantemente o prazer, o bem-estar, assume uma constante posição de recusa diante da dor. A ele, a dor aparece como inteiramente desprovida de sentido e de utilidade” (Byung-Chull Han, Sociedade paliativa).  

Em outras palavras, a dor não serve para nada e, portanto, deve ser eliminada. No entanto, o mesmo mundo que fabrica analgésicos e “vende” felicidade através do consumo nos adoece sempre mais, porque não nos prepara para a dor. Os pais de hoje fazem de tudo para manter seus filhos longe da dor e, desse modo, não os prepara para a vida. Quando tiverem que enfrentar a dor, fugirão dela escondendo-se atrás das drogas, de bebidas alcoólicas e do suicídio. Quem se suicida não quer destruir-se; quer apenas calar a voz da dor, cujo grito não suporta mais ouvir.   

Pedro, ao tomar consciência de que Jesus devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16,21), reagiu violentamente contra essas palavras de Jesus: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” (Mt 16,22). Essa reação é também a nossa. Com frequência, invocamos Deus para livrar do sofrimento não somente a nós, mas também às pessoas que amamos. Mas, e se determinado sofrimento faz parte do nosso “eu devo”, isto é, da nossa fidelidade à missão que somos?

Jesus não veio ao mundo para sofrer, mas quis estar junto de quem sofre. Ele também não veio incentivar a humanidade a buscar constantemente a dor, mas a não fugir dela quando é o momento de enfrentá-la. Viver dói. Só sente dor quem está vivo. Além disso, ninguém se torna “gente” sem passar por alguma experiência de dor. Na verdade, a vida nasce da dor: dor do parto, dor da semente que morre para germinar e frutificar, dor de quem decide mudar porque não aceita mais as coisas como são. Só a dor nos humaniza e nos torna solidários com quem sofre.   

A maneira como Jesus lidou com a dor nos ensina que a pergunta correta diante da dor não é “Por que isso comigo?”, mas “Por que não comigo?”. Por que nos consideramos tão “especiais” ou melhores do que os outros que são atingidos por duros sofrimentos neste mundo? Por sua vez, Victor Frankl afirmou: “O sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido”. O ser humano possui liberdade interior para decidir sempre o que fará com aquilo que lhe aconteceu. “O sofrimento que encontra sentido não deixa de doer, mas deixa de ser apenas escuridão, e passa a carregar, ainda que discretamente, uma possibilidade de transformação” (Elaine Castelo Branco).

A dor, dependendo da maneira como lido com ela, pode ser uma oportunidade de eu me transformar num ser humano melhor. Se eu não aceito nenhum tipo de dor, não consigo ser fiel a nada e a ninguém, nem a mim mesmo. Quando meu principal objetivo de vida é não sofrer, é me manter distante o máximo possível da dor, eu me torno incapaz de fidelidade. Nenhuma fidelidade é possível para uma pessoa que não aceita sofrer.

“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). “Renuncie a si mesmo”. Somos pessoas capazes de renunciar? Toda renúncia é, de certa forma, uma “agressão” ao nosso ego, um “não” que dizemos a nós mesmos, uma “frustração” que causamos aos nossos desejos e caprichos. Toda renúncia é um “podar-se”, lembrando que a poda é sempre em vista da produção de um fruto melhor. Pessoas capazes de renunciar tornam-se mais fortes humana e espiritualmente; tornam-se capazes de atingir seus objetivos, porque suas energias psíquicas e espirituais estão canalizadas para a meta a que são chamadas a alcançar. Aprendamos com Jesus a renunciar a tudo aquilo que é necessário para que nos tornemos seres humanos melhores, cristãos melhores, discípulos fiéis.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A PERGUNTA FUNDAMENTAL

 Homilia do 21º dom. comum. Palavra de Deus: Isaías 22,19-23; Romanos 11,33-36; Mateus 16,13-20.

 

A pergunta fundamental: “Quem eu sou, para você?”. Essa pergunta vem acompanhada de algumas outras: O que eu significo para você? Por que você decidiu me seguir? O que você espera de mim? Qual lugar eu ocupo em sua vida, no dia a dia?

Esses questionamentos de Jesus têm um único propósito: nos fazer passar de uma simples opinião para uma verdadeira convicção de fé, da superficialidade para a profundidade, do anonimato de quem se mistura com a massa para um posicionamento pessoal claro, do conhecimento de Jesus segundo a carne e o sangue (entendimento humano) para o conhecimento segundo o Espírito de Deus.

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”, respondeu Pedro. Num momento em que Jesus começava a perder seguidores, por causa das exigências do seu Evangelho, além de ser cada vez mais perseguido e atacado pelos líderes religiosos do judaísmo, Pedro expressa a sua convicção de fé, como se dissesse: eu não estou seguindo um simples milagreiro, nem um líder político, nem um solucionador de todos os meus problemas, nem muito menos alguém que veio me fazer prosperar e ser feliz; eu estou seguindo o Filho único de Deus, que foi ungido pelo Espírito Santo, o único Salvador do ser humano, a única fonte de sentido para a vida de quem quer que seja.

Jesus é “o Filho do Deus vivo”. Não é um ídolo que tem boca e não fala, tem mãos e não age, tem imagem, mas não se faz presente, que, no passado, curou, perdoou, libertou, resgatou e salvou muitas pessoas, mas que hoje não se manifesta em minha vida. Ele está vivo e caminha ao meu lado, e ainda que minha vida passe por mudanças cada vez mais rápidas, “Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje; ele o será para sempre” (Hb 13,8). Passarão o céu e a terra, mas as suas palavras permanecerão como fonte última de verdade para guiar todo ser humano que acolhê-las com fé (cf. Mt 24,35).

“Quem eu sou para você?”. A resposta que damos a essa pergunta não é a mesma todos os dias, em todas as situações que vivemos. Ela muda porque, embora Jesus seja o mesmo ontem, hoje e sempre, nós não o somos. Nossa vida muda constantemente, o que gera em nós instabilidade e insegurança, não só emocionais, mas também espirituais. Para muitos de nós, a resposta sobre quem é Jesus é uma quando nasce um filho, mas outra quando se perde tragicamente o filho amado; é uma quando se tem saúde, mas outra quando se adoece gravemente; é uma quando se obtém uma vitória em alguma área da vida, mas outra quando se tem que amargar um duro fracasso.

A resposta sobre quem Jesus é para você não tem como ser copiada de outra pessoa, nem mesmo da Sagrada Escritura. A mulher samaritana poderia responder: ‘Jesus é para mim o homem que curou minhas feridas afetivas e me libertou dos meus falsos maridos’ (cf. Jo 4,5-42). Zaqueu poderia responder: ‘Jesus é para mim o homem que trouxe a salvação para a minha casa e me libertou da ganância pelo dinheiro’ (cf. Lc 19,1-10). O oficial romano poderia responder: ‘Jesus é para mim o Filho de Deus, cuja Palavra teve autoridade espiritual para curar o meu empregado, mesmo sem Ele se fazer fisicamente presente em minha casa’ (cf. Mt 8,5-13). Nenhuma pessoa do Evangelho que teve um encontro com Jesus pode nos oferecer uma resposta pronta. Essa resposta é responsabilidade nossa, e não podemos transferi-la para ninguém mais.      

É no chão da nossa existência única e irrepetível que Jesus continua pondo seus pés e nos perguntado individualmente: “Quem eu sou para você?”, uma pergunta que se levantará diante de nós em cada situação que temos que enfrentar, sobretudo diante de cada dor, perda, crise, angústia, depressão ou perda de sentido de vida. Da nossa resposta a essa pergunta depende a nossa cura, libertação, ressurreição e salvação. E se Jesus “ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo” (Mt 16,20) é por que só a experiência da cruz pode revelar o quanto é verdadeira a nossa fé n’Ele como Filho do Deus vivo. Em outras palavras, toda e qualquer ideia, teoria ou sentimento que possamos ter em relação à pessoa de Cristo só se mostrarão verdadeiros na hora em que estivermos enfrentando uma experiência de cruz.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi



quinta-feira, 13 de agosto de 2026

COM A VIRGEM MARIA, DEIXAR-NOS ELEVAR ATÉ DEUS

Homilia Assunção da bem-aventurada Virgem Maria. Palavra de Deus: Apocalipse 11,19a; 12,1.3-6a.10ab; 1Coríntios 15,20-27a; Lucas 1,39-56.

 

            A liturgia de hoje nos coloca diante do dogma (afirmação de fé) da Assunção de Maria. Nossa Igreja crê que a Virgem Maria foi elevada em corpo e alma ao céu após a sua morte, não tendo o seu corpo sido corrompido, pois ele foi o sacrário vivo que gerou Jesus Cristo para o mundo. O corpo que gera o Sagrado torna-se também sagrado, e o sagrado não pertence à terra, mas ao céu. “Sendo Maria a ‘cheia de graça’, sem sombra alguma de pecado, quis o Pai associá-la à ressurreição de Jesus” (Missal dominical).

            Maria elevada ao céu é sinal de esperança para a própria humanidade, pois a sua elevação ao céu aponta para a “meta final da redenção: a glorificação da humanidade em Cristo. Maria chama hoje os cristãos a se considerarem inseridos na história da salvação e destinados a conformar-se a Cristo na glória... É a mãe que nos espera e convida a caminhar para o reino de Deus” (Missal dominical). Somos chamados, portanto, a renovar a nossa esperança e a nossa fé, pois, assim como Deus recolheu Maria, no final de sua vida, também nos recolherá para junto de Si do seu Reino.  

A solenidade de hoje é ocasião para fortalecer a convicção de que o nosso destino é voltar para Aquele a Quem sempre pertencemos. Justamente porque não pertencemos à terra é que estamos destinados à glorificação no céu. Se aqui na terra temos que enfrentar um grande Dragão, o Maligno que nos ataca de muitas maneiras, devemos saber que toda fidelidade encontra seu destino na glória. As nossas lutas não ficarão sem resposta; as nossas lágrimas não serão derramadas em vão. Ainda que tenhamos que atravessar as sombras desta vida, manteremos nossos olhos fixos na luz, que é Cristo ressuscitado.

A Mulher perseguida pelo Dragão nos revela que o mundo sempre será para nós, cristãos, o lugar do combate, da ameaça, de uma fidelidade custosa, o tempo em que o mal parece prevalecer nos seus ataques, mas devemos saber que não estamos sozinhos nesse combate; o Senhor Deus nos socorre com a força do Seu braço, como Maria declarou: “o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1,49); sua poderosa mão nos socorre, nos protege e nos impede de sermos alcançados pelo mal.

Maria assunta ao céu é também Maria que teve seu coração ferido pelos sofrimentos que seu Filho enfrentou no mundo, conforme profetizou Simeão: “Uma espada de dor traspassará tua alma” (Lc 2,35). Sua glorificação no céu é o cumprimento da promessa feita a todos nós: “Se participamos dos sofrimentos de Cristo, participaremos também da sua glória” (Rm 8,17). Assim como Jesus e sua Mãe, a Igreja encontra-se num mundo que fragiliza a vida e favorece constantemente a morte. Mas sabemos que nesse combate somos sustentados pela certeza da vitória de Deus, como diz a Palavra: “Se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, sobretudo dos que têm fé” (1Tm 4,10).

A visita de Maria a Isabel, levando àquela família a alegria do Espírito Santo, questiona o fechamento das nossas famílias em si mesmas e a ausência nossa, enquanto Igreja, das famílias que precisam ser visitadas pela ação consoladora do Espírito Santo. Inúmeras famílias perderam a direção do céu e se sentem distantes de Deus. Nelas não há espaço para a fé, a esperança e o amor, porque se encontram voltadas para baixo, enterradas na desorientação, na descrença, na inimizade; sua esperança foi substituída pela apatia; quando não, pela escravidão do consumismo, um consumismo que, além de trazer vazio, endivida e gera ainda mais conflito e discussão em casa.

“Querer formar uma família é ter a coragem de fazer parte do sonho de Deus, a coragem de sonhar com Ele, a coragem de construir com Ele, a coragem de unir-se a Ele nesta história de construir um mundo onde ninguém se sinta só”, afirma o Papa Francisco (AL n.322). Que todas as famílias experimentem a força do braço do Senhor a libertá-las e a protegê-las do poder destrutivo do mal. Que cada família seja visitada pela força do Alto, que é o Espírito Santo, e trabalhe no sentido de desenterrar-se, de desejar voltar a viver, de olhar para o céu e deixar-se elevar até Deus.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

OUVIR O SUSURRO DE DEUS PARA ALÉM DO BARULHO DAS TEMPESTADES

 Homilia do 19º dom. comum. Palavra de Deus: 1Reis 19,9a.11-13a; Romanos 9,1-5; Mateus 14,22-33.

 

            Por causa das mudanças climáticas, as tempestades estão aí, manifestando a sua violência cega, ferindo, destruindo e até mesmo matando. Mas existe também outro tipo de tempestade. É aquela interior, nascida como consequência de um pecado grave, de atitudes movidas pela ira, do esgotamento de quem ultrapassa seus limites e, sobretudo, da falta de confiança em Deus. O fato é que nenhum ser humano atravessa o mar da vida sem lidar com ventos contrários e tempestades.

            O texto do primeiro livro dos Reis descreve a tempestade interior do profeta Elias. Fugindo da ameaça de morte da rainha Jezabel, ele atravessa o deserto e sobe ao monte Horeb, para procurar refúgio em Deus. É noite, o momento em que a ansiedade, o medo e as preocupações gritam conosco, o momento em que nos sentimos frágeis e até mesmo desolados. Nessa situação nós só podemos clamar: “Tende piedade, ó meu Deus, tende piedade, pois eu me abrigo em ti; eu me abrigo à sobra de tuas asas, até que passe a tempestade” (Sl 57,2).

            Na oração, nós silenciamos para ouvir a voz de Deus acima do barulho da tempestade. Antes do Senhor, porém, veio um furacão, um terremoto e um incêndio. Mas o Senhor não estava neles. Elias só conhecia Deus pela força da violência, do radicalismo e do fanatismo religioso. Por isso, Deus se ausenta da sua fúria humana, para fazê-lo conhecer a Sua verdadeira face no murmúrio de uma brisa suave. A brisa suave é uma das imagens bíblicas do Espírito de Deus no Antigo Testamento. Se o vento contrário das tempestades nos assusta, o vento do Espírito de Deus nos conduz para fora da tempestade, devolvendo-nos serenidade e clareza interior para continuarmos a conduzir a nossa vida.

            Assim como o profeta Elias, todo pai precisa refugiar-se em Deus, a fim de não ser engolido pelas tempestades da vida. Se o mundo todo passa por um enfraquecimento da figura masculina, aquele que recebeu o dom da paternidade precisa apoiar-se diariamente no Pai do céu, aprender a ser forte consigo mesmo, enfrentar a sua tempestade interior e se render ao fato de que seus obstáculos serão vencidos “não pelo poder, não pela força, mas por meu Espírito, diz o Senhor” (Zc 4,6). Aquele que chamou o homem à paternidade também lhe sustentará na fidelidade diária a essa tarefa, por meio do seu Santo Espírito.

            Olhemos agora para as tempestades externas que nos atingem com violência: guerras, doenças, desigualdade social, ameaças, cobranças, dificuldade financeira etc. Sempre que elas se levantam nós, acabamos por questionar se Jesus realmente está conosco, conforme prometeu. Mas o Evangelho nos diz que, o fato de Jesus permanecer diante da face do Pai orando em nosso favor (cf. Hb 9,24), não significa que seremos poupados de tempestades. Se nenhum vento contrário atingir uma árvore em crescimento, ela não terá raízes profundas, nem um tronco forte, e tombará diante de qualquer ventania. Assim, as tempestades estão aí para que aprofundemos as raízes da nossa fé.

            “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” (Mt 14,31). Pedro tinha duas opções, no meio da tempestade: manter os olhos fixos em Jesus, e continuar caminhando sobre o mar tempestuoso, ou direcionar os olhos para o furor da tempestade. “Quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: ‘Senhor, salva-me!’” (Mt 14,30). Somos pessoas fracas na fé, quando damos deixamos o medo e a angústia alimentarem o desespero e o pessimismo em nós, por causa das tempestades que enfrentamos. Somos pessoas fracas na fé, quando queremos garantias da parte de Jesus de que conseguiremos fazer a travessia; do contrário, nos recusamos a entrar na barca com ele. Somos pessoas fracas na fé, quando fazemos tempestade em copo d’água diante de tudo o que escapa do nosso controle, quando deveríamos confiar no Espírito Santo que nos fortalece, sustenta e conduz.

“Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco, prostraram-se diante dele, dizendo: ‘Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!’” (Mt 14,32-33). Pessoas fortes na fé não se prostram diante das tempestades, mas, sim, diante do Filho de Deus, que tem o poder de silenciá-las. Portanto, ao Senhor Jesus supliquemos: “Salva-me, ó Deus, pois a água sobre até o meu pescoço! Afundo num lodo profundo, sem nada que me afirme; entro no mais profundo das águas, e a correnteza vai me arrastando... Não escondas tua face ao teu servo! Estou angustiado, responde-me depressa! Quanto a mim, curvado e ferido, que tua salvação, ó Deus, me levante!” (Sl 69,2-3.18.30).  


Pe. Paulo Cezar Mazzi