quinta-feira, 28 de maio de 2026

MERGULHAR NO MISTÉRIO QUE É DEUS

Homilia Santíssima Trindade. Palavra de Deus: Êxodo 34,4b-6.8-9; 2Coríntios 13,11-13; João 3,16-18.

 

“Quem me dera ao menos uma vez entender como um só Deus ao mesmo tempo é três...” (Legião Urbana, Índios, 1986).

Deus é Mistério; Ele é sempre maior do que os nossos conceitos e do que as nossas ideias sobre Ele. Quando pensamos que já O compreendemos, que já O conhecemos, Ele se apresenta a nós de uma maneira totalmente nova, que nos obriga a rever as nossas ideias sobre Ele. Não só na Sagrada Escritura, mas principalmente na vida, Deus revela-Se como Aquele que é sempre mais do que as nossas palavras podem explicar, mais do que a nossa mente pode imaginar e mais do que o nosso coração pode experimentar. 

            O Mistério que é Deus chama-se “Santíssima Trindade”: Ele é o Deus único, vivo e verdadeiro, mas Se revelou a nós como Pai, como Filho e como Espírito Santo. Sendo Pai, Deus está acima de nós, no sentido de ter o poder sobre todas as coisas que nos atingem. Sendo Filho, Deus está junto de nós, caminhando ao nosso lado, nos sustentando e nos amparando, enquanto atravessamos esse mistério chamado “vida”. Sendo Espírito Santo, Deus está dentro de nós, como força que nos move interiormente, como ânimo que nos levanta e nos impulsiona sempre para frente.

            Mesmo que não possamos compreender o Mistério que é Deus, o apóstolo Paulo afirma que “Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,27-28). Dizendo de outra forma, nós estamos mergulhados no Mistério que é Deus como um peixe no oceano: enquanto o peixe se pergunta “o que é o oceano?”, vive dentro dele e só vive porque está mergulhado nele! Assim também nós em relação a Deus.

            Embora a nossa existência tenha sido concebida no seio da Santíssima Trindade, nós nos sentimos expulsos dela, afastados ou até mesmo rejeitados por ela quando fazemos uma dura experiência de sofrimento. No seu livro “Se quiser experimentar Deus” (pp.167-178), Anselm Grün afirma que a imagem que nós temos de Deus não tem lugar para o sofrimento. “Nós construímos uma imagem de Deus que corresponda aos nossos gostos. Quando, então, um sofrimento nos atinge, nossa imagem de Deus se desmorona. E quando Deus não corresponde a esta imagem, nós nos distanciamos dele”. É aqui que a nossa fé conhece a sua noite escura. Mas...

“Quando ainda era noite” Moisés levantou-se e “subiu ao monte Sinai” (Ex 34,4). Ao mesmo tempo, “o Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés” (Ex 34,5). É assim que mergulhamos no Mistério que é Deus: nós subimos a Ele, por meio da oração, e Ele desce a nós. Ao mesmo tempo em que buscamos Deus, Ele também nos busca! Estando na presença de Deus, “Moisés curvou-se até o chão” (Ex 34,8). Curvar-nos significa admitir a nossa pequenez diante do Mistério que nos ultrapassa. Ali, prostrado por terra na presença de Deus, Moisés pediu: “Peço-te, caminha conosco... perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua” (Ex 34,9). Hoje nos curvamos diante do mistério da Santíssima Trindade e pedimos que, apesar das nossas falhas e pecados, sejamos acolhidos como propriedade do Pai Criador, do Filho Salvador e do Espírito Santo Consolador.

 


 

A Trindade Misericordiosa envolve a criatura humana por todos os lados. O sentimento do Pai é de ternura e cuidado, seu rosto se aproxima e beija o rosto inerte da pessoa ferida. Ele revela seu amor misericordioso no calor do abraço, que acolhe e regenera o ser humano. O Filho revela o Deus Amor-serviço, que se põe aos pés da humanidade decaída para restaurá-la, e revela o caminho do serviço como caminhada para a vida. Em Jesus, Deus se abaixa para estar mais perto da miséria do ser humano. O Espírito Santo, figura que desce do alto e se aproxima do ferido, tanto pode ser a figura de uma pomba, de chamas ou de mãos que trazem vida. Beija a pessoa e lhe transmite o Sopro de vida. A Pomba de fogo voa sobre o ser humano caído e o aquece.

Aproximemo-nos desse mistério de amor que é a Santíssima Trindade. Deixemo-nos recriar pelo Pai, salvar pelo Filho, guiar e sustentar pelo Espírito Santo. Sejamos no mundo um sinal vivo dessa comunhão trinitária, para que mais pessoas cheguem ao conhecimento do Deus vivo e se abram para o relacionamento divino, capaz de curá-las, redimi-las e salvá-las da destruição. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13).

Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O SOPRO DE VIDA QUE VEM DE DEUS

 Homilia de Pentecostes. Palavra de Deus: Atos dos Apóstolos 2,1-11; 1Coríntios 12,3b-7.12-13; João 20,19-23.

 

Jesus soprou sobre os discípulos e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). O Espírito Santo é tão essencial em nossa vida quanto o ar que respiramos. Ele é o “sopro de vida” (Gn 2,7) que nos faz viver não só biologicamente, mas a partir de dentro: “Se tirais o seu respiro, eles perecem e voltam para o pó de onde vieram; enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais” (Sl 104,30). Sempre que a nossa Igreja, ao longo dos séculos, se fechou em si mesma como que dentro de um túmulo, o Espírito Santo suscitou alguém para convencê-la a sair, a abrir suas portas e janelas, a fim de ser renovada, atualizada e cumprir sua missão de ser sal e luz para os homens de todos os tempos.

Ainda em relação à Igreja, o Espírito Santo não fala somente dentro dela e a partir dela, mas lhe fala a partir do mundo, sobretudo das situações mais feridas e dolorosas da humanidade. Uma Igreja fechada à realidade das pessoas, sobretudo a uma realidade que passa longe das suas normas religiosas, é uma Igreja que se recusa a ouvir o que o Espírito Santo tem a lhe dizer. É bastante perigosa essa postura que afirma que “o velho é que é bom!” (Lc 5,39). Isso tem cheiro de rejeição ao Espírito Santo, atitude que nos recorda a rejeição dos fariseus em relação a Jesus.  

O Espírito Santo nos foi dado para que Cristo ressuscitado viva em nós! Só Ele pode nos fazer sentir a presença do Ressuscitado em nosso dia a dia. É por meio do Espírito Santo que a Palavra, que é Cristo, fale ao presente da nossa história pessoal e social, e ilumine nossas escolhas e decisões, para fazermos em tudo a vontade do Pai. Além disso, é somente através do Espírito Santo que nós podemos chamar a Deus de Pai: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus” (Rm 8,16). Portanto, sempre que nos sentimos órfãos, sozinhos e abandonados neste mundo, precisamos clamar ao Espírito Santo que conceda ao nosso coração a certeza da nossa filiação divina, para que em toda e qualquer situação possamos dizer como Jesus: “Eu não estou só porque o Pai está comigo” (Jo 16,32).

Enquanto o nosso mundo sofre com separações, conflitos, guerras e divisões, o Espírito Santo deseja juntar os pedaços daquilo que está fragmentado em nós e criar unidade, comunhão, concórdia e paz. “A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum” (1Cor 12,7). O Espírito Santo não aceita ser usado para a nossa vaidade, muito menos para a nossa soberba espiritual. Toda pessoa que se julga melhor do que as outras e que tem a pretensão de se considerar mais católica do que o próprio Papa não está sendo conduzida pelo Espírito Santo, mas sua própria arrogância espiritual.

No dia de Pentecostes o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja em forma de línguas de fogo, o que significa que a sua linguagem conduz para o amor, a caridade, a comunhão e a concórdia. Nós ouvimos o testemunho de pessoas de quase todas as partes do mundo que, escutando todos os discípulos “falarem em línguas” (At 2,4), afirmavam: “Todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!” (At 2,11). Enquanto grupos católicos tradicionalistas buscam missas e orações em latim, o Espírito Santo nos capacita a falar uma língua que as pessoas entendam e através da qual se sinta tocadas por Deus, através da sua Palavra. Também podemos nos perguntar: as nossas postagens favorecem discórdia e divisão ou comunhão e reconciliação? As nossas palavras no dia a dia ajudam a promover concórdia ou discórdia no ambiente em que nos encontramos?  

            Neste dia de Pentecostes não basta clamar ao Pai que reavive o dom do seu Espírito em nós, – Jesus afirmou que “o Pai dará o Espírito Santo aos que o pedirem” (Lc 11,13) –, mas que tenhamos a atitude diária de nos deixar conduzir por ele (cf. Rm 8,14). E para onde o Espírito Santo quer nos conduzir? Para a esperança que não engana (cf. Rm 5,5), para o futuro que Deus tem para cada um de nós, para fora da nossa visão, prisioneira do agora, uma visão angustiada, incapaz de ver além da dor, do problema e da dificuldade pela qual cada um passa neste momento. “O Espírito e a Esposa dizem: ‘Vem!’. Que aquele que ouve diga também: ‘Vem!’ Que o sedento venha, e quem o deseja, receba gratuitamente água da vida” (Ap 22,17). O Espírito Santo se une à Igreja, Esposa de Cristo, para clamar: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).

            Enfim, o Espírito Santo é o “Espírito da promessa” (Ef 1,13). Ele é o penhor, isto é, a garantia da nossa ressurreição, a garantia de que nada é definitivo em nossa vida terrena, a garantia de que o Pai completará em cada um de nós a obra da salvação, até o dia da Vinda de seu Filho Jesus Cristo (cf. Fl 1,6). Então, soltemos as mãos do medo e da angústia, nos quais podemos estar agarrados neste momento, e nos deixemos conduzir pelo sopro de vida, que é o Espírito Santo. Que Ele nos leve para onde devemos ir, em vista da nossa libertação e salvação.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi    

 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

JESUS FOI O CÉU NA TERRA. SEJA-O, VOCÊ TAMBÉM.

Homilia da Ascensão do Senhor Jesus. Palavra de Deus: Atos dos Apóstolos 1,1-11; Efésios 1,17-23; Mateus 28,16-20.

 

“Ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita do Pai, todo-poderoso, de onde há de vir e julgar os vivos e os mortos”. Essas palavras fazem parte da nossa profissão de fé, e precisam ser lembradas especialmente hoje, em que celebramos a ascensão (subida) de Jesus ao céu.

Segundo o autor da carta aos Hebreus, Jesus entrou no céu “a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24). Desse modo, nós podemos apresentar a Jesus todas as nossas aflições e tribulações neste mundo, na certeza de que ele ora ao Pai por nós, para que permaneçamos firmes em nossa fé. Estando à direita do Pai e recebendo d’Ele todo poder e autoridade, Jesus prometeu enviar o Espírito Santo sobre os seus discípulos: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas” (At 1,8). Através do Espírito Santo, o próprio Jesus estará junto a cada um de nós, conforme prometeu: “Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20).

“Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20). Nenhum discípulo de Jesus está abandonado na face da terra, entregue aos sofrimentos e tribulações deste mundo. Ele está conosco, nos defendendo, nos amparando e nos sustentando com a graça do Espírito Santo. Estando no céu, junto do Pai, Jesus nos garante que um dia estaremos também no céu: “Quando eu for e vos tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais também vós” (Jo 14,3).

Voltemos à narrativa da ascensão, segundo Lucas: “Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não mais podiam vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia” (At 1,9-10). Há uma “nuvem” que nos impede de ver Jesus no céu. Essa “nuvem” retrata a distância, não só espacial, entre o céu e a terra. O único que viu Jesus no céu foi o diácono Santo Estêvão, momentos antes de ser apedrejado até à morte: “Eu vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus” (At 7,56).

A nossa geração só crê naquilo que vê. Somos escravos das telas. Se no momento da ascensão os discípulos estavam olhando para o céu, nós dificilmente levantamos os olhos para o alto. A própria postura de quem olha para o celular já diz tudo: nosso pescoço e nossa cabeça vivem curvados para baixo. De tanto sermos envolvidos pelas coisas da terra, esquecemos o céu.  As palavras do apóstolo Paulo – “Somos cidadãos do céu: de lá aguardamos ansiosamente como Salvador o Senhor Jesus Cristo” (Fl 3,20) – não fazem sentido nenhum em nosso dia a dia. Feitos para o céu, para voar como águias, nós nos comportamos como galinhas que vivem ciscando a terra, em busca de sobrevivência.

Pisando o mesmo chão que nós pisamos, Jesus nunca deixou de apontar o céu. Segundo ele, o céu pertence aos pobres em espírito, aos aflitos, aos que têm fome e sede de justiça, aos que promovem a paz (cf. Mt 5,3-8); ele pertence aos que não ignoram o sofrimento do próximo, aos que dão pão a quem tem fome, aos que cuidam dos doentes e aos que visitam os presos (cf. Mt 25,34-35); ele pertence aos que não ajuntam riqueza para si mesmos, mas usam o dinheiro para diminuir as desigualdades sociais à sua volta (cf. Lc 11,33-34), pois são as pessoas que nós ajudamos que nos receberão nas moradas eternas (cf. Lc 16,9).   

Enquanto esteve neste mundo, Jesus foi, para muitas pessoas, o céu na terra. Nós também somos chamados a sê-lo. O céu precisa “ser trazido” para a terra através de cada discípulo de Jesus, oferecendo presença a quem vive na solidão, palavras de conforto e de esperança a quem está abatido e desanimado, enxergando e valorizando aqueles que são “presença invisível” num mundo onde cada um está fechado em si mesmo... Rezemos, neste sentido, a oração de São Francisco de Assis: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”.

 

Sugestão de leitura: “O céu começa em você – a sabedoria dos Padres do Deserto para hoje”, Anselm Grün, editora Vozes.  

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

A PROMESSA DE OUTRO DEFENSOR

 Homilia 6º domingo da Páscoa. Palavra de Deus: Atos dos Apóstolos 8,5-8.14-17; 1Pedro 3,15-18; João 14,15-21.

 

                Jesus continua o seu discurso de despedida, iniciado do 5º domingo da Páscoa (cf. Jo 14,1-12). Hoje ele nos recorda que o vínculo que nos manterá unidos a ele é a decisão de amar: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Aquele que nos amou até o fim deseja ser amado por nós, e não temido ou obedecido fanaticamente. Só o relacionamento atravessado pelo amor permanece e dá sentido à vida. Se a maldade é cada vez mais crescente no mundo em que vivemos, Jesus nos convida a não desistir de amar; pelo contrário, precisamos tomar diariamente a firme decisão de amar como ele amou.

             “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama” (Jo 14,21). Como afirmou Nilson Perissé, “observar seus mandamentos implica acompanhá-lo pelas estradas do Evangelho, perceber como reage diante da dor, da injustiça, da traição, do sofrimento e da fragilidade humana. É permitir que sua forma de amar lentamente modele também a nossa”.

            “Quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Sempre que decidimos amar nos tornamos espaço de presença: o Pai e o Filho passam a morar dentro de nós. Isso significa que a nossa vida deixa de ser território neutro. Nossos gestos, nossas escolhas, nossas palavras passam a ser, de algum modo, expressão do Pai e do Filho que vivem em nós. Em outras palavras, se os pagãos diziam, a respeito dos primeiros cristãos: “Vejam como eles se amam!”, num mundo paganizado como o nosso, precisamos nos perguntar se as pessoas enxergam amor não só entre nós, mas também em nossa forma de tratar aqueles que o mundo não ama: os idosos, as pessoas com deficiência, os pobres, os feridos pela violência e pela desigualdade social.  

Voltemos às palavras de Jesus: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade” (Jo 14,15-17). Agora Jesus fala claramente do envio do Espírito Santo, chamado por ele de “Defensor”. Enquanto estava no mundo, Jesus era o Defensor dos discípulos, mas agora ele deve voltar para o Pai e ser diante d’Ele o nosso intercessor.

Em que sentido o Espírito Santo é o nosso Defensor? Ele está junto a nós para firmar os nossos passos na missão que somos, exatamente como fez com Jesus: “Ele, porém, passando pelo meio deles, prosseguia o seu caminho” (Lc 4,30). Ele nos dá a firme convicção de não retrocedermos diante dos obstáculos e dificuldades, como também fez com Jesus: “Quando chegaram os dias da sua subida, ele tomou resolutamente o caminho de Jerusalém” (Lc 9,51). Portanto, o Espírito Santo não apenas nos defende do espírito do mal, como nos defende também da covardia, do medo e do “corpo mole” que sempre sabotam o nosso crescimento e a nossa constância no seguimento de Jesus.  

Enfim, Jesus esclarece que esse “outro Defensor” é “o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (Jo 14,17). O mundo, aqui, não é a humanidade, mas toda pessoa que escolheu viver na mentira e não aceita a verdade do Evangelho. Como também afirma o livro da Sabedoria, “o Espírito Santo, o educador, foge da falsidade e se afasta de uma pessoa pratica a injustiça” (citação livre de Sb 1,5). Somente a pessoa que busca a verdade e se deixa educar, corrigir e guiar por ela, pode acolher o Espírito da Verdade.

Quando permanecemos no amor Àquele que é a Verdade, Jesus Cristo, o Espírito da Verdade não só “permanece junto” de nós, mas fica “dentro de nós”. Neste dia das Mães suplicamos que o Espírito Santo venha sobre cada uma delas e as cubra com sua sombra (cf. Lc 1,35).

Oremos: “Aqui estamos, Espírito Santo. Aqui estamos em sua presença. Venha e fique conosco. Infunda-se no mais íntimo do nosso coração. Ensine-nos em que temos de nos ocupar, para onde temos de dirigir nossos esforços. Seja somente você quem inspire e leve a feliz termo nossas decisões. Não permita que sejamos perturbadores da justiça. Que a ignorância não nos arraste para o mal, nem nos corrompa o desejo pelo lucro. Sejamos nós um em você e nada nos separe da verdade” (Santo Isidoro).

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi