Homilia 6º domingo da Páscoa. Palavra de Deus: Atos dos Apóstolos 8,5-8.14-17; 1Pedro 3,15-18; João 14,15-21.
Jesus continua o seu discurso de
despedida, iniciado do 5º domingo da Páscoa (cf. Jo 14,1-12). Hoje ele nos
recorda que o vínculo que nos manterá unidos a ele é a decisão de amar: “Quem
acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será
amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Aquele
que nos amou até o fim deseja ser amado por nós, e não temido ou obedecido
fanaticamente. Só o relacionamento atravessado pelo amor permanece e dá sentido
à vida. Se a maldade é cada vez mais crescente no mundo em que vivemos, Jesus
nos convida a não desistir de amar; pelo contrário, precisamos tomar diariamente
a firme decisão de amar como ele amou.
“Quem acolheu os meus mandamentos e os
observa, esse me ama” (Jo 14,21). Como afirmou Nilson Perissé, “observar seus
mandamentos implica acompanhá-lo pelas estradas do Evangelho, perceber como
reage diante da dor, da injustiça, da traição, do sofrimento e da fragilidade
humana. É permitir que sua forma de amar lentamente modele também a nossa”.
“Quem me ama, será amado por meu
Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Sempre que decidimos
amar nos tornamos espaço de presença: o Pai e o Filho passam a morar dentro de
nós. Isso significa que a nossa vida deixa de ser território neutro. Nossos
gestos, nossas escolhas, nossas palavras passam a ser, de algum modo, expressão
do Pai e do Filho que vivem em nós. Em outras palavras, se os pagãos diziam, a
respeito dos primeiros cristãos: “Vejam como eles se amam!”, num mundo
paganizado como o nosso, precisamos nos perguntar se as pessoas enxergam amor
não só entre nós, mas também em nossa forma de tratar aqueles que o mundo não
ama: os idosos, as pessoas com deficiência, os pobres, os feridos pela violência
e pela desigualdade social.
Voltemos às palavras de Jesus: “Se me
amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um
outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade” (Jo
14,15-17). Agora Jesus fala claramente do envio do Espírito Santo, chamado por
ele de “Defensor”. Enquanto estava no mundo, Jesus era o Defensor dos
discípulos, mas agora ele deve voltar para o Pai e ser diante d’Ele o nosso
intercessor.
Em que sentido o Espírito Santo é o
nosso Defensor? Ele está junto a nós para firmar os nossos passos na missão que
somos, exatamente como fez com Jesus: “Ele, porém, passando pelo meio deles,
prosseguia o seu caminho” (Lc 4,30). Ele nos dá a firme convicção de não
retrocedermos diante dos obstáculos e dificuldades, como também fez com Jesus: “Quando
chegaram os dias da sua subida, ele tomou resolutamente o caminho de Jerusalém”
(Lc 9,51). Portanto, o Espírito Santo não apenas nos defende do espírito do
mal, como nos defende também da covardia, do medo e do “corpo mole” que sempre
sabotam o nosso crescimento e a nossa constância no seguimento de Jesus.
Enfim, Jesus esclarece que esse “outro
Defensor” é “o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque
não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e
estará dentro de vós” (Jo 14,17). O mundo, aqui, não é a humanidade, mas toda
pessoa que escolheu viver na mentira e não aceita a verdade do Evangelho. Como
também afirma o livro da Sabedoria, “o Espírito Santo, o educador, foge da
falsidade e se afasta de uma pessoa pratica a injustiça” (citação livre de Sb
1,5). Somente a pessoa que busca a verdade e se deixa educar, corrigir e guiar
por ela, pode acolher o Espírito da Verdade.
Quando permanecemos no amor Àquele que é a Verdade, Jesus Cristo, o Espírito da Verdade não só “permanece junto” de nós, mas fica “dentro de nós”. Neste dia das Mães suplicamos que o Espírito Santo venha sobre cada uma delas e as cubra com sua sombra (cf. Lc 1,35).
Oremos: “Aqui estamos, Espírito Santo. Aqui estamos
em sua presença. Venha e fique conosco. Infunda-se no mais íntimo do nosso
coração. Ensine-nos em que temos de nos ocupar, para onde temos de dirigir
nossos esforços. Seja somente você quem inspire e leve a feliz termo nossas decisões.
Não permita que sejamos perturbadores da justiça. Que a ignorância não nos
arraste para o mal, nem nos corrompa o desejo pelo lucro. Sejamos nós um em
você e nada nos separe da verdade” (Santo Isidoro).
Pe. Paulo Cezar Mazzi
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