Homilia do domingo de Páscoa. Palavra de Deus: Atos dos Apóstolos 10,34a.37-43; Colossenses 3,1-4; João 20,1-9
O Evangelho do domingo de Páscoa nos
apresenta três discípulos de Jesus diante do seu túmulo vazio: Maria Madalena,
Pedro e o discípulo amado. Os três estavam machucados pela morte de Jesus na
cruz. Nenhum deles esperava por sua ressurreição. Maria Madalena, ao encontrar
o túmulo vazio, não pensa na ressurreição, mas acredita que o corpo de Jesus
foi roubado. Assim como aqueles três discípulos, nossos olhos e nossos
pensamentos estão presos na imagem daquilo que morre a cada dia em nós e no
mundo, o que dificulta que enxerguemos sinais de ressurreição.
O discípulo amado “viu e acreditou” (Jo
20,8). Ele não viu Jesus, mas enxergou os sinais da sua ressurreição dentro do
túmulo. Talvez, a nossa maior dificuldade em acreditar na ressurreição seja o
fato de que continuamos a ver a vida ser vencida todos os dias pela morte. Mas
crer na ressurreição não significa ter a garantia de escapar da morte. Nós só
poderemos experimentar a alegria da ressurreição depois de experimentarmos a
dor da morte! A fé na ressurreição não anula a morte, mas nos desafia a olhar
para além dela, pois o Ressuscitado nos diz: “Não tenha medo! Eu sou o Vivente,
estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho comigo
as chaves da morte e da região dos mortos” (Ap 1,17-18).
Se cremos que o Senhor Jesus
ressuscitou, devemos levar uma vida de pessoas ressuscitadas, sabendo que a
nossa ressurreição “está escondida com Cristo, em Deus” (Cl 3,3). Assim como a
vida que está escondida dentro da semente só desabrocha quando ela morre, ou
seja, quando é enterrada, assim também a nossa ressurreição só se dará a partir
da nossa própria morte. Portanto, certa e digna de fé é esta Palavra: “Deus,
que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder” (1Cor
6,14). Assim como o Senhor Jesus, todos nós estamos destinados à ressurreição:
“Semeado mortal, o corpo ressuscita imortal; semeado desprezível, ressuscita
cheio de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo
psíquico, ressuscita corpo espiritual” (1Cor 15,43-44).
“Porque Ele vive, eu posso crer no
amanhã”. Porque Cristo vive, depois de ter enfrentado a morte de cruz, eu posso
lidar a minha cruz sustentado pela força da esperança. Porque Cristo vive, eu
posso seguir pela vida sabendo que nada poderá me separar do amor de Deus,
manifestado na pessoa de seu Filho Jesus (cf. Rm 8,37-39). Porque Cristo vive,
eu posso suportar minhas provações crendo que Deus tem o poder de transformar tudo
aquilo que eu entrego em Suas mãos (cf. Hb 11,17-18). Porque Cristo vive, eu
confio ao Pai a minha necessidade diária de ressurreição, sabendo que a Páscoa não é
obra minha, mas obra do Pai em mim. De fato, a fé na ressurreição nunca é a fé naquilo
que eu posso fazer, mas sempre é a fé naquilo que o Pai pode fazer em mim e na
vida daqueles por quem eu oro.
Pe.
Paulo Cezar Mazzi