Homilia do 32º dom. comum. Palavra de Deus: Sabedoria 6,12-16; 1Tessalonicenses 4,13-18; Mateus 25,1-13.
Nós
acabamos de celebrar Finados, palavra que nos remete para o fim da nossa vida
terrena. O Papa Bento XVI tinha uma compreensão muito profunda e espiritual do
fim da sua vida: “Eu não me preparo para um fim, mas para um encontro”. É a
respeito desse encontro que nos fala o Evangelho de hoje. No horizonte da nossa
existência não está simplesmente o fim da nossa vida neste mundo, mas o
encontro com o Senhor Jesus Cristo, Noivo da Igreja e Esposo da nossa alma.
A
espera pela volta de Jesus sempre foi sofrida e carregada de tentações. Ela é,
sem dúvida, uma espera dolorosa e desafiadora para cada um de nós, porque “o
meu Senhor tarda a vir” (Mt 24,48), o que significa dizer que quanto mais
esperamos por sua volta, mais Ele parece ausente e distante. Desse modo, muitos
desistiram de esperar e passaram a viver somente no aqui e no agora. Ora, uma
vida sem esperança é como alguém que decidiu se trancar num cômodo sem janela, sem
ventilação: morrerá por falta de oxigênio.
Sempre
que nos falta esperança nós começamos a adoecer. O que fez muitos judeus
sobreviverem aos tormentos nos campos de concentração (não enlouqueceram e não
se suicidaram) foi a esperança de um dia sair dali e poder reencontrar pessoas
da sua família. Quem não tem pelo quê ou por quem esperar não encontra sentido
em suportar o sofrimento do momento presente. O grande erro da maioria das
pessoas hoje é fechar a vida no aqui e no agora. Para serem felizes aqui e agora
elas apostam tudo, gastam toda a sua reserva de óleo, vivem de improviso e não
se preparam para uma eventual demora da vinda do Senhor.
Lamparinas
sem reserva de óleo não conseguem ficar acesas por muito tempo. Vivendo de
maneira inconsequente, sem se preparar para o futuro, para os imprevistos da
vida, muitos não se preocupam em ter uma reserva. Em muitas famílias não há
mais reserva de dinheiro porque todo o ganho já está comprometido com os juros
do cartão de crédito e com as malditas apostas on line (muitos querem
que elas sejam novamente liberadas). Não há mais reserva de paciência e
tolerância porque nosso tempo de descanso e de autocuidado foi entregue às
redes sociais. Não há mais reserva de fé e de esperança em nós porque não
reservamos tempo para estar com o Senhor na oração.
O
tempo presente é o único tempo em que podemos começar a cuidar da nossa reserva
financeira, afetiva e espiritual. Ninguém de nós pode prever os acontecimentos,
mas podemos estar preparados para lidar com eles. Além disso, o fato de não ser
possível repartir a reserva de óleo entre as dez jovens (o óleo seria
insuficiente para todas elas) aponta para a nossa responsabilidade individual. Ninguém
pode ter por nós a relação com Deus que passamos a vida adiando. Ninguém pode
perdoar em nosso lugar aquilo que nos recusamos a perdoar.
O
azeite ou óleo é produzido esmagando as sementes ou os frutos de onde é extraído.
Sofrimentos que parecem nos esmagar são oportunidades para guardarmos gotas de
óleo que, agora, no presente, parecem não servirem para nada, mas que no futuro
serão absolutamente necessárias. A noite sempre chegará, para cada um de nós, e
ali será preciso que a lâmpada da nossa fé permaneça acesa, para podermos
reconhecer o rosto do nosso Esposo e com Ele podermos entrar para as bodas no
Reino dos Céus.
Pe.
Paulo Cezar Mazzi