Homilia do 12º dom. comum. Palavra de Deus: Jeremias 20,10-13; Romanos 5,12-15; Mateus 10,26-33.
Sofrimento e perseguição: qual a
diferença entre eles? “O sofrimento atinge todas as pessoas, também as justas e
inocentes, mas a perseguição atinge as pessoas justas exatamente por serem justas”
(missal dominical). Quanto mais injustiça e maldade no mundo, maior é a
tentação de abandonar o propósito de ser uma pessoa justa para não mais sofrer
perseguição. Um exemplo concreto: uma jovem entra na Universidade e é
perseguida por ser virgem e heterossexual. Ou ela abre mão dos seus valores ou
ficará sem amigos. As perseguições também são muito comuns no campo do
trabalho, devido à inveja ou à disputa por cargos mais elevados.
Bem mais do que o profeta Jeremias, Jesus
foi duramente perseguido pelos líderes religiosos da sua época, e ele próprio
nos alertou: “Se perseguiram a mim, perseguirão a vocês também” (Jo 15,20). Num
mundo dominado pela mentira, pelo egoísmo e pela busca do próprio interesse,
quem busca viver segundo a verdade, a fraternidade e o amor será
inevitavelmente perseguido.
Jesus nos ensina que quando estamos
sofrendo uma perseguição injusta, devemos confiar firmemente que a verdade
prevalecerá: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não
seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido” (Mt 10,26). Muitas
pessoas sofrem injustiças porque o juiz não julgou segundo a verdade, mas
segundo o dinheiro que recebeu “por fora”, das mãos de homens poderosos e
injustos. No entanto, esse mesmo juiz terá que prestar contas ao justo Juiz,
cujo dinheiro algum é capaz de corromper.
Jesus também nos encoraja a não temer
o fanatismo dos homens: “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não
podem matar a alma!” (Mt 10,28). Por mais contraditório que seja, pessoas
religiosas fundamentalistas usam as redes sociais para expressar seu ódio e sua
intolerância, agredindo e perseguindo aqueles que pensam diferente delas. Mas
Jesus nos ensina que, ainda que a nossa imagem ou mesmo o nosso corpo sofra agressão,
a nossa alma não pode ser ferida, nem muito menos destruída, por nenhum ser
humano. O pior que poderia nos acontecer é corrompermos a nossa alma, e assim
nos livrar da perseguição de pessoas, e, desse modo, perdermos a nossa salvação
diante de Deus.
Por três vezes, Jesus insistiu conosco: “Não
tenham medo!” (Mt 10,26.28.31). A razão principal para não nos entregarmos ao
medo e, sim, nos enchermos de coragem e confiança é esta verdade de fé: até os
cabelos da nossa cabeça estão todos contados; nenhum fio cairá sem o
consentimento do Pai! Em outras palavras, nenhum mal nos atingirá sem a
permissão de Deus, e se Ele permite algum mal em nossa vida, se deve unicamente
ao Seu propósito de nos fazer crescer na fé e na união com Ele. O Pai que
permite provações sabe dos nossos limites. Por isso, nos acompanha e permanece
junto conosco, principalmente nas perseguições que sofremos neste mundo.
Jesus termina seu discurso
missionário nos encorajando a dar testemunho dele diante dos homens que não
creem. Mesmo que muitas pessoas amem mais a mentira do que a verdade, mais o
mal do que o bem, nós devemos permanecer firmes na missão que somos, pois
aquele que preferir enfraquecer a verdade do Evangelho só para ficar bem com aqueles
que a rejeitam, sofrerá a rejeição de Jesus, no momento do seu julgamento.
Pe.
Paulo Cezar Mazzi
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