quinta-feira, 11 de junho de 2026

A VIDA NOS CHAMA A CUIDAR DAS PESSOAS FERIDAS

 Homilia do 11º dom. comum. Palavra de Deus: Êxodo 19,2-6a; Romanos 5,6-11; Mateus 9,36 – 10,8.

 

“Vós sereis para mim um reino de sacerdotes” (Ex 19,6). Deus escolheu o povo de Israel para, a partir dele, salvar a humanidade. A função do sacerdote é interceder a Deus pelo povo que lhe foi confiado. A missão do sacerdote é retirar pessoas dos descaminhos da destruição e da morte e orientá-las no caminho da vida que Deus quer para todos os Seus filhos. Mais do que privilégio, o sacerdócio é um serviço, uma constante missão.

Como Israel, constituído nas suas doze tribos, falhou na sua missão, “Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade” (Mt 10,1). Aqui está o nascimento da Igreja da qual fazemos parte. Ao pronunciar o nome de cada discípulo no meio da multidão, Jesus está pronunciando o nosso nome e nos chamando para a missão de sermos o novo povo sacerdotal, a Igreja, cuja missão é libertar as pessoas do mal que as destrói e curar as feridas que o pecado pessoal e social abriu nelas.

Nunca podemos nos esquecer de qual foi o contexto em que Jesus escolheu os doze discípulos: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,36). Jesus não nos chamou a pertencermos a uma organização que usa do poder político para garantir para si mesma privilégios e riqueza material, mas para sermos a expressão viva da sua compaixão para com uma humanidade ferida e desorientada como ovelhas sem pastor.

Mas como é verdade que ninguém leva o outro mais longe do que onde ele mesmo está, nós somos chamados, primeiro, a ouvir a voz do único e verdadeiro Pastor, Jesus Cristo, para que ele nos dê língua de discípulos e, assim, possamos comunicar a palavra consoladora do seu Evangelho para aqueles que estão perdidos, atormentados pelo mal e adoecidos neste mundo. Cada missa que participamos nos fortalece na consciência de que “somos uma missão nesta terra, e por isso estamos neste mundo”, parafraseando o Papa Francisco.

Qual missão eu sou? Deixemos com que Jesus responda: “Dirija-se às ovelhas perdidas!” (cf. Mt 10,5). A missão de cada um de nós é revelada pela realidade à nossa volta. Por isso, a nossa espiritualidade não pode nos fechar sobre nós mesmos, mas nos abrir para onde a vida nos chama. O cap. 10 de São Mateus é um discurso missionário: Jesus chama e envia para a missão. Essa é a razão de cada um de nós sermos a sua Igreja, uma “Igreja em saída”, como insistiu o Papa Francisco. Cada cristão é chamado a ir aos outros, a aproximar-se das pessoas em sua situação de vida e a levar-lhes a alegria do Evangelho.

O lugar onde cada um de nós vive é o lugar da nossa missão. Ali há alguém doente que precisa ser curado, alguém morto que precisa ser ressuscitado, alguém contaminado que precisa ser desintoxicado, alguém dominado pelo mal e que precisa ser liberto: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios” (Mt 10,8). Os discípulos só puderam realizar a missão porque foram revestidos antes do poder de Jesus. Assim também nós. A nossa presença junto às ovelhas perdidas pode ser uma presença de cura, de ressurreição, de descontaminação e de libertação na medida em que nos entregamos ao Espírito Santo e permitimos que Ele aja através de nós.

 

            “Leva-me aonde os homens necessitem tua Palavra, necessitem de força de viver, onde falta a esperança, onde tudo seja triste, simplesmente por não saber de Ti!”

 

Ao final dessa reflexão, retomemos as palavras de Jesus: “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,37-38). Rezemos a oração pelas vocações:

 

Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: “Vem e segue-me!”. Derrama sobre nós o teu Espírito! Que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz! Senhor, que a messe não se perca por falta de operários! Desperta nossas comunidades para a Missão! Ensina nossa vida a ser serviço! Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, na vida consagrada e religiosa! Senhor, que o Rebanho não pereça por falta de Pastores! Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, diáconos e ministros! Dá perseverança a nossos seminaristas! Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em Tua Igreja! Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder: “SIM”. Amém.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

Nenhum comentário:

Postar um comentário