quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

E ENTÃO JESUS ME DISSE: "VEM, SEJA A MINHA LUZ!"

 Homilia do 3º dom. comum. Palavra de Deus: Isaías 8,23b – 9,3; 1Coríntios 1,10-13.19; Mateus 4,12-23.

 

            “Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia” (Mt 4,12), região chamada de “Galileia dos pagãos!” (Mt 4,15). João era a voz, mas Jesus é a Palavra. Se a voz foi proibida de falar em público, a Palavra, portadora da vida e de salvação, não pode se calar. Portanto, Jesus decide iniciar sua missão no exato momento em que João é silenciado.

            Na sua exortação apostólica sobre a santidade, o Papa Francisco afirmou que a existência de cada um de nós contém uma palavra única de Deus para a humanidade. O lugar onde vivemos também é a “Galileia dos pagãos”, ou seja, um local que necessita ouvir a Palavra que é Cristo, e que falará aos corações que necessitam de fé, de esperança e de sentido de vida. Cristo falará a esses corações por meio da nossa humanidade, e nós faremos ecoar a Palavra que é Cristo por meio das nossas atitudes, principalmente.

            O evangelista Mateus entende que o início da missão de Jesus na “Galileia dos pagãos” é o cumprimento da profecia de Isaías: “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9,1). Aonde a sua luz é necessária? Exatamente aonde há pessoas vivendo na escuridão e morando nas sombras da morte. Quanto mais a escuridão cresce à nossa volta, mas precisamos ser luz. Você é luz quando visita um idoso que vive na solidão em sua casa ou num asilo; quando visita uma pessoa enferma em sua casa ou no hospital. Você é luz quando leva a luz do Evangelho diário a um colega de trabalho; quando faz uma postagem que ajuda as pessoas a saírem das trevas da desorientação política e também religiosa.

                A primeira pregação de Jesus foi: “Convertam-se, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). Conversão significa mudar a maneira de pensar e de enxergar as coisas. A maioria de nós vive no piloto automático. Ao invés de pensar e refletir, para somente depois agir, nós simplesmente reagimos ao que vemos, ouvimos e sentimos. Por isso, não escolhemos o nosso próprio caminho, mas seguimos o fluxo que a maioria está seguindo no momento. A mudança de mentalidade é necessária por causa do Reino dos Céus. Este Reino significa que o eterno é mais importante do que o transitório; o bem real é mais importante que o bem aparente; ser salvo é mais importante do que ser feliz momentaneamente.  

             “Vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão... Vamos precisar de todo mundo; um mais um é sempre mais que dois” (Beto Guedes, O Sal da Terra). Jesus não realizou a sua missão sozinho, mas chamou discípulos. O Evangelho nos apresenta o chamado de quatro pescadores: Pedro, André, Tiago e João. Jesus chamou esses homens no local de trabalho deles. Eles não pescavam por esporte, mas por sobrevivência. Nenhum de nós trabalha por esporte, mas para sobreviver. Jesus nos desafia a trabalhar por algo muito maior: a salvação das pessoas à nossa volta.

               “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mt 4,19). O mar simboliza as forças do mal, que busca destruir as pessoas e tudo o que elas mais amam. O Evangelho é a rede que devemos lançar para resgatar as pessoas das situações que as destroem, sobretudo espiritualmente. Por que tantas vidas destruídas, tantos casamentos destruídos, tantas empresas destruídas, tantas crianças, adolescentes e jovens adoecidos e destruídos? Porque muitos cristãos desistiram de lançar suas redes e decidiram eles mesmos se afogar no mar da indiferença para com o mundo. Muitos não entenderam que a missão da Igreja não é condenar o mundo, mas salvá-lo.

                Alguns questionamentos: Aonde a minha vida está se desenvolvendo, neste momento? Por que Deus não me colocou na capital, Jerusalém, mas na periferia, neste lugar desprezível, chamado “Galileia dos pagãos”? Eu me deixo sensibilizar pelas pessoas que estão adoecendo nas trevas e nas sombras da morte? Cristo é luz: eu me exponho diariamente a essa luz, ou prefiro continuar acomodado(a) na sombra escura do meu vitimismo? O centro da pregação de Jesus é o Reino de Deus: eu olho para o alto e busco o eterno, ou vivo com a cabeça enterrada na enganadora aparência deste mundo? Jesus chamou seguidores: eu uso as redes sociais para levar pessoas a Cristo, ou para eu ganhar seguidores? Minha prioridade é trabalhar para sobreviver/enriquecer, ou eu também trabalho para que o Evangelho chegue às pessoas que estão sempre mais mergulhadas no mal?

 

Um dia escutei Teu chamado, divino recado batendo no coração. Deixei deste mundo as promessas e fui bem depressa no rumo da Tua mão. Tu és a razão da jornada.

Tu és minha estrada, meu guia, meu fim. No grito que vem do Teu povo Te escuto de novo, chamando por mim! (bis)

            Embora tão fraco e pequeno, caminho sereno com a força que vem de Ti. A cada momento que passa, revivo esta graça de ser Teu sinal aqui! Tu és minha estrada, meu guia, meu fim. No grito que vem do Teu povo Te escuto de novo, chamando por mim! (bis)

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SEGUIR O CORDEIRO ONDE QUER QUE ELE VÁ

 Homilia do 2º dom. comum. Palavra de Deus: Isaías 49,3.5-6; 1Coríntios 1,1-3; João 1,29-34.

 

 “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).  Nós escutamos essas palavras em toda celebração eucarística, antes de recebermos a Comunhão. Após batizar Jesus (liturgia de domingo passado), João o apresenta ao mundo como “o Cordeiro de Deus”. Na história da salvação, a imagem do cordeiro aparece, pela primeira vez, no sacrifício de Isaac. Enquanto Abraão sobe a montanha com Isaac, este pergunta ao pai: “Meu pai, eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o sacrifício?”, ao que Abraão responde: “É Deus quem providenciará o cordeiro, meu filho”. De fato, em lugar de Isaac ser sacrificado, Deus providenciou um cordeiro: “Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro, preso pelos chifres num arbusto; Abraão foi pegar o cordeiro e o ofereceu em sacrifício em lugar de seu filho” (Gn 22,7.8.13).

            Jesus é o Cordeiro que o Pai permitiu que fosse sacrificado no altar da cruz para poupar todos nós, seus filhos e filhas, da condenação da morte, como afirma o apóstolo Paulo: “Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou por todos nós, como não nos haverá de nos agraciar em tudo junto com ele?” (Rm 8,32).

            Segundo o Evangelho de São João, Jesus foi entregue para ser crucificado no momento em que as famílias judaicas sacrificavam seus cordeiros para celebrarem a festa da páscoa (cf. Jo 19,14). Enquanto os cordeiros morriam sem saber o motivo, Jesus é o Cordeiro de Deus que, livre e conscientemente, escolhe dar a vida pela salvação dos filhos de Deus dispersos pelo mundo (cf. Jo 11,52). Como afirma o autor da carta aos Hebreus, “ele (Cristo) se manifestou para abolir o pecado por meio do seu próprio sacrifício” (Hb 9,26).     

            Jesus é o Cordeiro que “tira o pecado do mundo”. Mas em que sentido ele “tira o pecado”, se o vemos agindo em nós e no mundo à nossa volta? São Paulo afirma que a consequência do pecado é a morte (cf. Rm 6,23). Todo pecado que cometemos produz morte em nós mesmos e no ambiente à nossa volta. Mas “a morte foi absorvida na vitória” (1Cor 15,51) de Cristo na cruz. Ele nos libertou da condenação da morte, que o pecado nos impõe, mas não anulou a nossa liberdade de fazer escolhas e, portanto, de pecar.

            Sendo “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), Jesus nos apresenta o caminho da libertação do pecado: “Quem comete o pecado, é escravo... Se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,35-36). A libertação do nosso pecado passa por uma escolha diária: viver como filhos no Filho e não aceitarmos viver como escravos do nosso egoísmo, que sempre busca o que convém aos seus desejos e não o que convém ao nosso verdadeiro bem. A cada dia nós somos chamados a nos considerar “mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus” (Rm 6,11).

            Ao enviar seus discípulos em missão, Jesus disse: “Eis que vos envio como cordeiros entre lobos” (Lc 10,3). Somos discípulos do Cordeiro de Deus. Não podemos nos tornar lobos com a desculpa de que isso é necessário, se quisermos sobreviver no meio dos lobos que nos cercam. Todos os dias nós devemos reafirmar a nossa identificação com o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, assumindo a atitude de verdadeiros servos d’Aquele que nos chamou desde o ventre materno (cf. Is 49,5), e respondendo como o salmista: “Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos... E então eu vos disse: ‘Eis que venho!... Com prazer faço a vossa vontade’” (Sl 40,7.8.9)

            Se na Sagrada Escritura a imagem do cordeiro está ligada ao sacrifício, não existe maior sacrifício para nós do que fazer a vontade de Deus. Para tal, temos que sacrificar os desejos e caprichos do nosso egoísmo, buscando todos os dias não o que nos convém, mas o que convém ao Reino de Deus. Não nos esqueçamos, enfim, de que a nossa identidade de discípulos do Cordeiro é assim descrita no livro do Apocalipse: “Eles seguem o Cordeiro aonde quer que ele vá” (Ap 14,4). Não somos nós quem determinamos o caminho, esperando que o Cordeiro nos acompanhe, mas é Ele quem escolhe o caminho que somos chamados a trilhar, em nossa identificação como Seus verdadeiros discípulos.

 

Oração: Santíssimo Pai, o Senhor não poupou o Teu Filho do sacrifício da cruz, para salvar teus filhos dispersos. Eu creio que, junto com Ele, o Senhor me dará todas as graças de que necessito. Torna-me verdadeiro(a) discípulo(a) do Cordeiro! Liberta-me da dominação do pecado. Não quero viver como escravo, mas como filho(a). Ensina-me diariamente a morrer para o pecado e a viver para Ti, obedecendo à Tua vontade. Este é o único sacrifício que Te agrada. Que a cada dia eu me disponha a seguir os passos do Cordeiro aonde quer que ele vá, e não aonde eu gostaria que ele me levasse, pois ele é o único Caminho que me conduz ao Teu Reino. Amém.    

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

"VOSSA FACE, SENHOR, EU A PROCURO!" (Sl 27,8)

 Missa da Epifania do Senhor. Palavra de Deus: Isaías 60,1-6; Efésios 3,2-3a.5-6; Mateus 2,1-12.

           

No coração de todo ser humano, no mais íntimo de cada um de nós, existe uma súplica: “É tua face, Senhor, que eu procuro. Não escondas de mim a tua face” (Sl 27,8-9). A nossa busca por Deus é a nossa busca por sentido. Não nos basta apenas existir; nós precisamos de uma razão para existir, e somente Deus pode responder à nossa busca por sentido de vida.

            A procura dos magos do Oriente pelo menino Jesus nos fala do quão sofrida às vezes se torna a nossa busca por Deus, pois a Escritura diz: “Tu és o Deus escondido” (Is 45,15). O Deus a quem o nosso coração busca é “escondido” porque mora dentro de nós, e não fora, como afirmou Santo Agostinho: “Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava. Mas Tu me deixaste conhecer-Te. Eis que estavas dentro e eu fora! Estavas comigo e não eu Contigo”.

Apesar de não termos um contato direto e imediato com Deus, o autor da carta aos Hebreus afirma que “quem se aproxima de Deus (quem procura por Deus) deve crer que Ele existe e recompensa aqueles que o procuram” (Hb 11,6). Os magos deixam isso claro: existe uma recompensa para quem busca Deus, para quem se desacomoda e se põe a percorrer o sofrido caminho da fé, atravessando noites escuras, suportando perguntas angustiantes em sua alma, até que possa encontrar-se com Aquele que é a verdade. Sim; a busca por Deus é a busca pela verdade. Por isso, só pode encontrar Deus quem O procura de coração sincero (cf. Sl 145,18).

A alegria dos magos, ao encontrarem Jesus, nos recorda a maneira como Deus se expressa no Antigo Testamento: “Deixei-me encontrar por aqueles que não perguntavam por mim. Deixei-me encontrar por aqueles que não me procuravam. A uma nação que não invocava o meu nome eu disse: ‘Aqui estou, aqui estou!’” (Is 65,1). Essas palavras se referem aos povos pagãos, povos representados aqui no Evangelho pelos magos do Oriente. Quantas pessoas, que nós jamais imaginaríamos que estivessem abertas a Deus, foram alcançadas pela graça d’Ele e se abriram à Sua verdade?

Se hoje somos chamados a nos alegrar pela oferta da salvação de Deus em Seu Filho Jesus, acolhida com alegria pelos povos pagãos, precisamos também considerar o perigo do nosso fechamento a Deus: “Estendi as mãos todos os dias a um povo desobediente, que andava por caminho mau, seguindo seus próprios caprichos” (Is 65,2). Deus estende Suas mãos todos os dias, para salvar o ser humano, mas muitos não se dão ao trabalho de estender suas próprias mãos para segurar as mãos de Deus. Muitos até gostariam de ter um encontro íntimo e transformador com Deus, mas não se dispõem a sair do seu comodismo, da sua preguiça espiritual. Como uma geração como a atual, preguiçosa e acomodada, vai se dispor a buscar Deus? 

Foi graças à luz de uma estrela que os magos do Oriente puderam encontrar Jesus. A luz dessa estrela nos recorda a palavra de Jesus: “Vós sois a luz do mundo... Brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que elas vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14.16). Como cristãos, somos chamados a fazer brilhar a luz das nossas boas obras, isto é, do nosso esforço diário em nos comportar como Jesus se comportou, lembrando sempre que o brilho da nossa luz deve glorificar o Pai e não a nós mesmos.

Assim que encontraram o Menino Jesus, os magos se ajoelharam e o adoraram. Adorar significa respeitar Deus; colocar-nos humildemente diante da Sua presença misteriosa; não nos apropriarmos d’Ele como se fosse um objeto sagrado que pudéssemos usar a nosso favor. Adorar significa buscar a Deus por quem ele é, e não porque necessitamos d’Ele. Significa também jogar fora os nossos ídolos, nossas falsas seguranças, e reconhecer que a nossa cura, a nossa salvação não vem de nós mesmos, mas do Deus vivo e verdadeiro. Adorar significa ainda nos desarmar, substituindo o medo pela confiança, permitindo que Deus possa tomar posse de nós e nos inundar com a Sua graça, que tudo transforma.

Diante de Jesus, o verdadeiro presente de Deus para a humanidade, os magos “abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11). Que o Pai nos ensine a enxergar em cada ser humano o ouro da sua dignidade e da sua unicidade, o incenso do sagrado que carrega em si como Seu filho amado e a mirra da sua fragilidade, espaço por meio do qual a força do Pai se manifesta como amor que redime, como bálsamo que alivia a dor e como convite ao amadurecimento e à superação dos seus obstáculos. 

 

Oração: Meu Deus, eu procuro a Tua face. Tu és o Deus escondido, o Deus que eu não posso manipular e usar segundo os meus caprichos. Quero respeitar o Teu mistério, a Tua transcendência, o Teu sagrado. Eu creio que o Senhor sempre se deixa encontrar por quem O procura de coração sincero, e que o Senhor nunca deixa sem resposta quem pergunta por Ti. Acolho a luz do Teu Filho! Ele é o presente que o Senhor oferece a toda a humanidade. Concede-me a graça de, ao longo deste novo ano, enxergar em cada ser humano o ouro da sua dignidade, o incenso do sagrado que carrega em si como Seu filho amado e a mirra da sua fragilidade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

CONFIAR ÀS MÃOS DO PAI NOSSA BREVE EXISTÊNCIA NESTE MUNDO

 Missa Maria, Mãe de Deus. Palavra de Deus: Números 6,22-27; Gálatas 4,4-7; Lucas 2,16-21.

 

Fim de 2025: mais um ano vivido, e também um ano a menos em nossa existência terrena. Nossos dias escorrem como água pelo vão dos nossos dedos: “Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos” (Sl 90,10). Ter a consciência de que temos um ano a menos para viver, em nossa breve existência neste mundo, deveria nos fazer abandonar as coisas fúteis e inúteis, e direcionar nossas energias para aquilo que é verdadeiramente essencial. Muitos de nós já não podem se dar ao luxo de gastar tempo e energia com ilusões que levam a um constante sofrimento inútil.

Diante da constatação do quanto a nossa vida corre rápida e o quanto nós perdemos tempo com ilusões e sofrimentos desnecessários, o salmista pede a Deus:  “Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho, fazei dar frutos o labor de nossas mãos!” (Sl 90,12.16-17).

Ao encerrarmos o ano de 2025 algumas perguntas precisam ser respondidas: O que a vida tentou me ensinar neste ano, mas eu fiz de conta que não era comigo? Em quais momentos eu senti medo, raiva, tristeza, ou frustração, mas engoli e segui, como se nada tivesse acontecido? Que situações eu evitei enfrentar, acreditando que elas iriam se resolver sozinhas? Tudo aquilo de que fugimos em 2025 voltará a nos encontrar em 2026, em algum momento, porque, ou nós escolhemos ouvir por bem as perguntas que a vida nos coloca, ou teremos que ouvi-las por mal.

É possível que todos nós desejemos ou tenhamos nos proposto mudanças neste novo ano. Mas já fizemos isso muitas outras vezes, e pouca coisa mudou. O problema está na nossa vontade, que é fraca. Sem uma vontade séria e decidida da nossa parte, nada muda em nós, nem à nossa volta. Nossa vontade tem que ser treinada, disciplinada. Nenhum hábito muda sem ser exercitado ao longo de seis meses, no mínimo. E por falar em hábito, algo que todos nós precisamos nos propor é visualizar menos telas e ler livros. Eis alguns benefícios da leitura: 1. Ajuda a exercitar a imaginação e criatividade. 2. Amplia o vocabulário e melhora a escrita. 3. Contribui para a redução da ansiedade e do estresse. 4. Exercita a memória, aumenta o conhecimento e previne demência. 5. Promove o relaxamento e melhora a qualidade do sono.

Na época em que Jesus nasceu, apenas 10% da população sabia ler. Maria aprendeu a ler a vida por meio dos acontecimentos: “Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2,19). Guardar e meditar no coração significa escutar o que a vida quer nos ensinar; significa entender que os acontecimentos não são fruto do acaso, mas consequência das nossas atitudes ou da alta delas, e também intervenções de Deus, que deseja abrir nossa vida para novos caminhos. Contudo, nada pode ser guardado e meditado no coração quando nossos olhos vivem fixados nas telas.

            Hoje estamos invocando as bênçãos de Deus para o novo ano: “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós!” (Sl 67,4.6). Contudo, não podemos esperar as bênçãos do céu para a nossa vida de cada dia transferindo para as mãos daqueles que nos governam tarefas que são nossa responsabilidade: “Abençoem... Abençoem e não amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram, chorem com os que choram... A ninguém paguem o mal com o mal; seja a preocupação de vocês fazer o que é bom para todas as pessoas... Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal pelo bem” (Rm 12,14-15.17.21).

            Elevemos nossas mãos de filhos para segurar as mãos do Pai, permitindo que Ele nos conduza em cada dia do ano que está nascendo: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e ele agirá” (Sl 37,5). Muito mais do que as vozes dos nossos projetos, planos, do nosso medo ou das nossas preocupações, queremos nos orientar pela voz do Espírito Santo, que clama em nós: “Abá, ó Pai!” (Gl 4,6). Assim, façamos agora a nossa oração:

            Abbá, Papai! Desde criança eu aprendi que era conduzido(a) por Ti, nesse estranho caminho que é o meu. Jamais considerei a vida como um peso que eu tenho de levar sozinho(a), pois teu amor me sustenta e me ampara. Mas confesso que às vezes tenho medo, e esse medo me impede de fazer a travessia. Continuo a ficar do lado de cá, ao que já me é familiar, não avançando rumo ao desconhecido, quando somente ali poderia fazer a experiência de que tu me amparas.

Abbá, Papai! Sei que o que o Senhor espera de mim não é que eu faça grandes coisas por Ti, mas que eu me atreva a me entregar confiantemente em tuas mãos, crendo que a tua atitude para comigo é, radicalmente, positiva. E a firmeza que o Senhor me oferece é um dom que tu concedes gratuitamente a quem se atreve a confiar em ti em meio às tormentas da vida. Abençoa-me, Papai, com a verdade do teu amor, e guia meus passos neste novo ano que se inicia. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!*

 

            Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

*Trechos de Dolores Aleixandre, Revela-me o teu nome.

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

REZAR NOSSA REALIDADE DE FAMÍLIA DIANTE DO SENHOR JESUS, NOSSO MÉDICO E NOSSO REMÉDIO

 Missa da Sagrada Família de Nazaré. Palavra de Deus: Eclesiástico 3,3-7.14-17a; Colossenses 3,12-21; Mateus 2,13-15.19-23.

 

Neste dia em que fazemos memória da Sagrada Família de Nazaré e em que oramos pela nossa, alguns aspectos da vida em família precisam ser meditados e colocados nas mãos do Senhor nosso Deus, sabendo que “se o Senhor não constrói a casa, em vão trabalhamos seus construtores” (cf. Sl 126,1).

 

Família e violência – O Evangelho de hoje nos fala da violência cega e brutal de Herodes, que persegue o menino Jesus para matá-lo. As “conversas” que o Anjo do Senhor tem com José deixam claro que cabe a cada membro da família ouvir a voz de Deus em sua consciência e tomar a atitude diária de se afastar dos Herodes atuais. Herodes não é somente o traficante, o pedófilo, as mentiras das redes sociais, os diversos sites que corrompem crianças e adolescentes. Ele é também o pai que assassina sua mulher e seus filhos, assim como ele é o filho que assassina os pais por dinheiro (dependência química). Conselho bíblico: “Irai-vos, mas não pequeis. Não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo” (Ef 4,26-27).  

 

Família e dinheiro – 79,5% das famílias brasileiras estão endividadas (outubro de 2025). Vivendo num país onde a pobreza não é apenas mantida, mas sempre mais aprofundada por políticos do Congresso Nacional, que legislam em favor das grandes empresas que despejam dinheiro em seus currais eleitorais, o empobrecimento não é simplesmente resultado do fracasso pessoal, mas politicamente necessário para manter os salários abusivos de políticos, juízes e militares. Contudo, há uma “tarefa de casa” que quase nunca é feita: planejar o gasto mensal. Além de o cartão de crédito ser o principal meio de endividamento, compra-se o que não é essencial e a emoção sempre cede diante dos apelos da propaganda de consumo. Conselho bíblico: “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24).

 

Família e jogos de aposta (Bets) – Enquanto muitas famílias procuram se proteger de ladrões e bandidos, elas mesmas abrem a porta da casa para outro tipo de ladrão: as bets – casas de aposta eletrônica. “86% das pessoas que apostam têm dívida e 64% estão negativadas na Serasa, diz pesquisa” (Estadão, novembro de 2024). Esse endividamento em apostas eletrônicas tem motivadores irresistíveis: times de futebol, cujas camisetas sempre estampam nomes de bets: “Todos os clubes do Brasileirão 2025 são patrocinados por bets. 90% dos times da Série A deste ano têm patrocínio master de empresas de apostas esportivas” (Ge.Globo, 11/03/2025). Um patrocinador master é uma entidade ou empresa que se destaca como o principal apoiador financeiro de um evento, projeto ou organização. Ver no You Tube: “A Banca Sempre Ganha - Episódio 1 - Bets: O jogo sujo que ninguém comenta”. Conselho bíblico: “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância” (Lc 12,15).

 

Família e sexualidade – O acesso fácil à pornografia e o resultado rápido de prazer que ela oferece tem fechado pessoas em si mesmas, de modo que as dificuldades na harmonia sexual não são mais enfrentadas. Enquanto na vida real dá trabalho estabelecer um diálogo e buscar caminhos para tratar desvios ou doenças que prejudicam a saúde sexual, muitas pessoas mergulham na pornografia quase que diariamente, regredindo nas suas relações de convivência e viciando seu cérebro em compensações imediatas. Enquanto o casal se angustia com a possibilidade de traição, os filhos passam a noite mergulhados na Internet, se afogando na desorientação sexual da pornografia. Desse modo, na casa nunca falta a satisfação do prazer, mas sempre falta a alegria e o sentido de estarem juntos. Conselho bíblico: “A lâmpada do corpo é o teu olho. Se teu olho estiver são, todo o teu corpo também ficará iluminado; mas se ele for mau, todo o teu corpo também ficará no escuro” (Lc 11,34).  

 

Família e Deus (espiritualidade) – O fechamento em nós mesmos não somente nos afasta uns dos outros, mas principalmente do “Outro”: Deus. A oração dá lugar à diversão (filmes, jogos). A missa é rapidamente substituída pelo passeio do final de semana. Saciar o estômago com comida e bebida é muito mais prazeroso do que receber um “alimento tão mesquinho” (cf. Nm 21,5), como a Eucaristia. Conselho bíblico: “Creia no Senhor Jesus e serão salvos você e sua família” (At 16,31). A cura e a restauração da nossa família passam pela relação de cada um de nós com a pessoa de Jesus Cristo, nosso médico e nosso remédio, ele que nos garantiu: “Sem mim, vocês nada podem fazer” (Jo 15,5) e nos fez este apelo: “Permaneçam em mim. Permaneçam no meu amor” (Jo 15,7.9).

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

A "PALAVRA QUE SE FEZ CARNE" SÓ PODE SER OUVIDA NA SIMPLICIDADE E NO SILÊNCIO

 Missa de Natal. Palavra de Deus (Noite): Isaías 9,1-6; Tito 2,11-14; Lucas 2,1-14; (Dia): Isaías 52,7-10; Hebreus 1,1-6; João 1,1-18.

 

 “Eu vos anuncio uma grande alegria (...): Nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11). Como você está celebrando este Natal? A notícia do nascimento de Jesus enche seu coração de alegria, ou a tristeza pela enfermidade, pela dificuldade financeira, pela perda de alguém, pelo rompimento de um relacionamento etc., tem sufocado a alegre notícia de saber que, antes de você vir ao mundo e se confrontar com muitas situações tristes, o seu Salvador já havia nascido?

“Nasceu para vós”. Jesus não nasceu para si mesmo, assim como não viveu para si mesmo. Ele nasceu para cada um de nós. Além disso, viveu e morreu em favor da salvação de cada um de nós. Crer que Jesus se tenha feito pessoa humana e entrado na história humana não muda nada na vida de ninguém. O que muda é o fato de crermos que Ele nasceu como Salvador de cada um de nós; nasceu como “a luz da verdade que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano” (Jo 1,9). Luz é sinônimo de vida, verdade, direção e orientação. Vivendo dentro da grande desorientação do mundo atual, onde a IA se tornou um instrumento perfeito para se disseminar todo tipo de mentira nas redes sociais, nós seguimos Jesus: Caminho (orientação), Verdade (aquilo que é sólido e digno de confiança) e Vida (sentido e transcendência).

 A simplicidade do nascimento de Jesus – seu primeiro berço foi uma manjedoura, lugar onde os animais comem – é um ótimo questionamento para nós, que nos afastamos de tudo o que é simples e passamos a viver escravos das constantes solicitações da tecnologia e da propaganda de consumo. Como a nossa mente não suporta o excesso de informações (ou seria, na verdade, desinformações?) e o nosso emocional se esgota devido ao excesso de solicitações, a manjedoura de Jesus continua a nos alertar que a doença está no excesso, enquanto que a cura está na simplicidade. Nenhum excesso (comida, bebida, dinheiro, bens, poder, sexo, validação etc.) é capaz de responder à nossa busca mais profunda: a busca pelo sentido da vida.

No dia em que celebramos o nascimento do nosso Salvador precisamos ter a coragem de escutar o nosso coração, com suas angústias e tristezas, suas perguntas ainda sem respostas, seu vazio que não pode ser preenchido com nada que o mundo invente e nos venda com a falsa promessa de felicidade. Aliás, quanto mais presentes uma criança ganha, menos ela os valoriza; quanto menos, mais valorização e cuidado. Justamente porque a celebração do Natal foi corrompida pela indústria e pelo comércio, na sua sede insaciável de vender e lucrar conosco, para muitas pessoas o sentido do Natal passou a depender da quantidade de presentes que ganham.

O verdadeiro sentido do Natal está numa Palavra que se fez pessoa humana e desejou entrar em diálogo conosco: “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Jesus, Palavra viva do Pai, se fez pessoa humana para falar ao humano de cada um de nós. Ele se fez “carne” para dialogar com a nossa carne, a qual, no sentido bíblico, significa debilidade, ambiguidade, contradição, miséria, insuficiência, algo sujeito à tentação e ao pecado, aquilo que é chamado a ser (ideal), mas que constantemente se acomoda ao que é (real)... Jesus é verdadeiramente a Palavra viva do Pai para falar à nossa carne, e essa Palavra só pode curar, perdoar, libertar, ressuscitar e transformar aquele que faz silêncio para ouvi-La; aquele que, em meio às inúmeras solicitações por atenção, toma a decisão de ouvi-La!            

            “Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está voltado para o seio do Pai, este nos deu a conhecê-Lo” (Jo 1,18). O Filho nasceu para nos libertar de toda compreensão doentia ou deformada que tínhamos do Pai. Portanto, só podemos conhecer o Deus único e verdadeiro ouvindo o Filho, a quem o Pai concedeu o poder sobre toda carne, ou seja, sobre todo ser humano. Mas qual poder? O poder de nos dar a vida eterna. “Ora, a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17,2-3).

Que você tenha um Natal habitado pelo silêncio e pela simplicidade de coração, para permitir ao Filho pronunciar sobre a sua carne a Palavra da Verdade, e lhe introduzir na intimidade amorosa, curativa e libertadora do Pai.

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

 

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

NOSSOS PESADELOS NÃO IMPEDEM DEUS DE SONHAR EM NÓS

 Missa do 4º dom. Advento. Palavra de Deus: Isaías 7,10-14; Romanos 1,1-7; Mateus 1,18-24.

Os textos bíblicos deste último domingo do Advento nos colocam diante de dois homens chamados a se tornarem pais: o rei Acaz (séc. 8 aC) e o carpinteiro José (séc. 1 dC). Enquanto o filho de Acaz representa a promessa, o filho de José representa a realização da promessa, para mostrar que Deus “vigia sobre a sua Palavra até que ela se realize” (cf. Jr 1,12). Isso significa que nenhuma das promessas de Deus ficará esquecida ou perdida no tempo, mas todas se cumprirão no seu devido tempo.

        O rei Acaz é chamado a tornar-se pai num contexto de ameaça de guerra. A guerra destrói tudo, trazendo consigo a morte e a perda de confiança no futuro. Exatamente na iminência de uma guerra que poderá destruir o seu reino, Acaz recebe uma promessa de Deus: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14). A virgem, nesse caso, é a esposa de Acaz; o filho é Ezequiel, futuro rei de Israel, garantia de que haverá um futuro para um reino que está ameaçado de ser eliminado da face da terra.

           O futuro nascimento de Ezequias aponta para outro nascimento, o de Jesus Cristo, verdadeiro Emanuel, o “Deus conosco” (Mt 1,23), que nos garantiu: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Séculos mais tarde, o apóstolo Paulo perguntará: “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (Rm 8,31).

O Evangelho de hoje nos fala da “origem” humana de Jesus, uma origem que se dá num contexto de forte crise para o coração de José. A gravidez de Maria surpreendeu José e o jogou numa profunda crise, enchendo seu coração de perguntas que ele não conseguia responder. Desconhecendo o plano de Deus, era natural que José concluísse que a gravidez de Maria era fruto de uma traição, a qual pedia a justiça da época: o apedrejamento até a morte.

Aqui entra a grandeza de José, aquilo que o Evangelho chama de “justiça”: “José, seu marido, era justo” (Mt 1,19). Para não denunciar Maria publicamente e expô-la ao risco de um apedrejamento, José decide abandoná-la em segredo, assumindo a “culpa” de ter engravidado sua noiva e não ter assumido a responsabilidade pelo filho. José poderia ter exigido “justiça” e entregue Maria ao apedrejamento, mas ele não o fez. Quantas injustiças nós causamos aos outros ao ficarmos cegos pelo nosso desejo de justiça?

         Assim como José, alguns dos nossos sonhos se tornam pesadelos: o sonhado filho cresce e se torna dependente químico, ou mesmo bandido; o casamento se deteriora em divórcio; determinado sonho de consumo traz consigo dívidas impagáveis que transtornam a família; o sonhado trabalho numa determinada empresa esconde a convivência com pessoas corruptas ou pagãs, que serão má companhia para o marido ou para a esposa...

            Durante a vida, todos nós teremos que enfrentar alguns pesadelos, mas o Evangelho nos traz a boa notícia de que Deus pode sonhar dentro dos nossos pesadelos, falar ao nosso inconsciente e ampliar o horizonte da nossa vida. Enquanto o nosso consciente se defende daquilo que a vida está nos pedindo, o nosso inconsciente se mantém aberto àquilo que Deus sonha para nós. Desse modo, Deus fala a José por meio de um sonho, explicando a “origem” da gravidez de Maria e convidando José a se abrir aos Seus planos.

         José foi chamado a cuidar de um filho que ele não gerou. A quantos de nós a vida está pedindo para cuidar de algo – ou de alguém – que não geramos, que não foi querido ou “causado” por nós, mas que depende absolutamente do nosso cuidado, para ter prosseguimento e futuro? A nossa vida pode ganhar um sentido totalmente novo quando aceitamos cuidar de algo que não é nosso, mas que Deus colocou em nosso caminho, para que o abracemos como nossa responsabilidade.  

            José não teve participação alguma na geração de Jesus no ventre de Maria, mas cabe a ele dar um nome àquele menino: “Tu lhe darás no nome de Jesus” (Mt 1,21), que significa “Deus salva”. Toda criança que nasce precisa de uma referência masculina e de uma feminina. Infelizmente, mais da metade das famílias brasileiras não tem “José” dentro de casa. A ausência de uma figura paterna abre uma lacuna enorme na formação da personalidade dos filhos, por mais que a mãe seja uma heroína e os crie sozinha.

            Deus nos desafia como Igreja a sermos a presença de José junto às inúmeras crianças carentes de pai, crianças “adotadas” precocemente pelo tráfico de drogas, pelo mundo da criminalidade e pela profunda desorientação das redes sociais. Que a presença discreta e silenciosa de José na Sagrada Escritura nos inspire a ocuparmos o nosso lugar na história da salvação. Assim como ele, que nós nos tornemos homens e mulheres “justos”, dispostos a ajustar a nossa vida aos projetos de Deus, que visam o bem e a salvação nossa e da humanidade.

 

Oração: Senhor Deus, meu Pai, muitos são os pesadelos que atormentam a minha mente e angustiam o meu coração. Ajuda-me a dormir, para que o meu consciente, que sempre se defende dos Seus planos a meu respeito, desligue e o meu inconsciente acolha os sonhos que Tu tens para mim. Desse modo, poderei compreender a razão pela qual fui chamado(a) à existência, e ocupar o meu lugar na história da Salvação, sendo fiel à tarefa de cuidar daquilo que a vida está me pedindo para cuidar, neste momento. Por Jesus Cristo, na força do Espírito Santo. Amém.   

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi