quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

NOSSO LOBO E NOSSO CORDEIRO PODERÃO VIVER JUNTOS, PACIFICAMENTE!

 Missa do 2º. dom. do avento. Palavra de Deus: Isaías 11,1-10; Romanos 15,4-9; Mateus 3,1-12.

 

         Estamos entrando na segunda semana do Advento. Nosso olhar se levanta para o que está por vir: a Parusia, ou seja, a segunda Vinda de Cristo. Segundo o profeta Isaías, a vinda de Cristo provocará uma mudança no interior das pessoas e até mesmo dos animais: “O lobo e o cordeiro viverão juntos..., o leão comerá palha como o boi; a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa... Não haverá danos nem mortes...” (Is 11,6.7.8.9). Dentro de nós há um lobo, um leão, uma cobra venenosa; há uma pessoa que instintivamente age no sentido de se defender quando ameaçada. Mas também moram em nós um cordeiro manso, um boi que não se alimenta de sangue, uma criança capaz de brincar. A nossa saúde física, mental e espiritual depende de aprendermos a colocar em diálogo o lobo e o cordeiro, o leão e o boi, a criança e a cobra venenosa que nos habitam.

Se a profecia de Isaías nos parece uma utopia, um sonho maravilhoso, mas tremendamente irreal, o apóstolo Paulo afirma que tudo o que foi escrito no passado foi escrito para que, “pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança” (Rm 15,4). Ora, a esperança não se assenta sobre aquilo que somos agora, mas sobre aquilo que podemos vir a ser, na medida em que nos deixamos conduzir pelo Espírito de Deus. Ele pode nos conceder “a graça da harmonia e da concórdia uns com os outros” (Rm 15,5). O Natal só é possível de ser celebrado quando nos dispomos à reconciliação, à reaproximação, a acolher aqueles para os quais temos mantida fechada a porta do nosso coração.

                Nesta segunda semana do advento, bate à porta da nossa consciência a voz de João Batista, aquele que veio preparar a primeira vinda de Cristo: “Convertei-vos! (...) Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!” (Mt 3,2-3). O contrário da conversão – voltar-se para Deus – é a perversão – andar numa direção que não é a de Deus, que não conduz para Deus. “Converter-se”, no seu mais genuíno sentido bíblico, é abandonar os caminhos que nos levam para longe de Deus (os caminhos do egoísmo, da autossuficiência, do orgulho, da preocupação com os bens materiais) e voltar para trás, ao encontro de Deus; é tomar a decisão de viver ao estilo de Jesus, no amor, na partilha, no serviço, no perdão, no dom de si próprio a Deus e aos irmãos.

Para aqueles que têm a convicção de estarem caminhando na direção de Deus, vale o alerta de João Batista a alguns grupos religiosos do seu tempo: “Raça de cobras venenosas... Produzi frutos que comprovem a vossa conversão” (Mt 3,7-8). Nós nos julgamos ‘filhos de Deus’, mas muitas vezes nos comportamos como ‘filhos do maligno’, simbolizado biblicamente pela serpente. Participamos das celebrações da nossa Igreja sem escutar a voz da nossa consciência e sem a disposição de mudar nossas atitudes.  

             O que identifica a árvore é o fruto que ela produz. “Toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo” (Mt 3,10). Talvez você já tenha montado sua árvore de Natal. Os enfeites dela apontam para os frutos. Que frutos as pessoas têm encontrado em você? As suas atitudes têm ajudado a despertar a fé e a esperança nos outros? Na sua segunda vinda, o Senhor Jesus virá como Juiz. Julgar, no sentido bíblico, significa separar. “Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará num fogo que não se apaga” (Mt 3,12). Trigo – imagem bíblica de uma pessoa que amadureceu como bom fruto; palha – imagem bíblica de uma pessoa vazia, desprovida de conteúdo. Você está cuidando do seu cultivo pessoal, para um dia se tornar trigo e não palha?

Algumas tarefas que podemos assumir durante esta segunda semana do Advento: 1) Colocar em diálogo nosso lobo e nosso cordeiro; 2) Quem devemos acolher? A quem devemos voltar a abrir a porta ou à porta de quem precisamos bater, em busca de reconciliação? 3) Nós estamos amadurecendo como trigo ou como palha?

Pe. Paulo Cezar Mazzi

   

             

 

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