quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ESCOLHAS ATUALIZADAS

Missa do 3º. dom. comum. Palavra de Deus: Isaías 8,23b–9,3; 1Coríntios 1,10-13.17; Mateus 4,12-23.

Passou o tempo das festas – Natal e Ano Novo. A grande maioria dos trabalhadores que estavam de férias já retornou ao trabalho, e aqueles que puderam viajar já estão de volta. Aos poucos a vida vai retomando o seu curso e vamos mergulhando de novo no mar da rotina do nosso cotidiano. Mas eis que Jesus se coloca junto ao mar da nossa vida! Ele está junto a nós porque escolheu iniciar seu caminho de salvação não na capital (Jerusalém), mas numa periferia chamada “Galileia dos pagãos” (Mt 4,15), um lugar insignificante, sem importância política, nem religiosa, uma região habitada por pessoas consideradas ignorantes, perdidas.
Jesus convida cada um de nós a visitar a sua periferia existencial, aquela área da nossa vida que consideramos insignificante, mas que precisa ser acolhida e cuidada por nós. Ao mesmo tempo, Ele nos convida a levarmos a Sua luz aonde ela ainda não chegou. Para isso, cada um de nós precisa “sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20). É por meio de cada um de nós que a Igreja poderá “estar sempre onde fazem mais falta a luz e a vida do Ressuscitado” (EG 30), nos lembra o Papa Francisco.  
Se a liturgia da semana passada nos tornou conscientes de que a nossa existência neste mundo não é fruto do acaso, mas de uma escolha e de um chamado por parte de Deus, o Evangelho de hoje confirma esta verdade ao nos colocar diante das palavras de Jesus: “Sigam-me e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mt 4,19). Este chamado espera de nós uma RESPOSTA, resposta que deve ser dada não somente num determinado momento, mas que pede para ser ATUALIZADA a cada dia da nossa vida. Assim como os aplicativos do nosso celular exigem atualização para que funcionem bem, assim a resposta que damos ao chamado de Deus necessita ser atualizada, para que a escolha que fizemos ontem preencha de sentido a nossa vida hoje.
            Mas aqui nos deparamos com uma questão importante: uma das características da geração moderna é a dificuldade em fazer escolhas que sejam definitivas. Seja no campo profissional, afetivo ou mesmo da fé, as pessoas hoje mudam suas escolhas quase que com a mesma facilidade com que trocam de roupa. Muitos fatores colaboram para essa troca: o desgaste, a rotina, a decepção – causada muitas vezes por uma expectativa exagerada ou irreal daquilo que a pessoa escolheu – o surgimento de algo aparentemente melhor, mais vantajoso, mais lucrativo, mais sedutor, algo que prometa resultados mais rápidos e ofereça uma satisfação maior para a pessoa.
            Embora a geração de hoje ache normal “ROER A CORDA” sempre que o preço das escolhas feitas se mostre exigente e muitas pessoas não queiram dar-se ao trabalho de atualizar suas escolhas, isto é, atualizar a resposta que deram ao chamado de Deus, cada um de nós é convidado por Jesus a segui-lo de maneira madura, apoiando-nos na escolha que Ele fez de nós e na fecundidade que nos concedeu de produzirmos frutos, sabendo que esses frutos permanecerão na medida em que nossas escolhas se ENRAIZAREM no chão do definitivo e não mais patinarem sobre o terreno do provisório.
Jesus nos chama a ajudá-lo na missão de “pescar pessoas”, isto é, salvá-las. Nesse imenso mar da vida conhecemos inúmeros jovens mergulhados nas bebidas e nas drogas, homens e mulheres mergulhando cada vez mais no adultério, famílias se afogando na desestruturação, pessoas mergulhadas em dívidas devido ao consumismo, gente se afogando no vício dos jogos, pessoas mergulhadas no sofrimento e na dor, bairros ou cidades mergulhadas na violência, países mergulhados em guerra civil, inúmeras pessoas se afogando na pornografia enquanto navegam na internet etc.
          Antes de lançarmos as redes, contudo, o apóstolo Paulo nos convida a tomar consciência de que redes rompidas não servem para pescar. Portanto, devemos superar as divisões que existem entre nós. “Será que Cristo está dividido?” (1Cor 1,13), pergunta o apóstolo. O centro da nossa fé deve ser o Evangelho, e não a pessoa do pregador do Evangelho. Além disso, ao procurarmos viver como portadores da mensagem do Evangelho aos outros, devemos confiar muito mais na força própria da cruz de Cristo do que na sabedoria das nossas palavras. A cruz de Cristo tem sua força própria! Isso significa que “não poderemos jamais tornar os ensinamentos da Igreja uma realidade facilmente compreensível e felizmente apreciada por todos; a fé conserva sempre um aspecto de cruz”, nos lembra o Papa Francisco (EG 42).
            Hoje é o momento de atualizarmos a nossa resposta ao chamado que recebemos de Jesus. “Um dia escutei teu chamado, divino recado batendo no coração. Deixei deste mundo as promessas e fui, bem depressa, no rumo da Tua mão! Tu és a razão da jornada, Tu és minha estrada, meu Guia, meu Fim. No grito que vem do Teu povo Te escuto de novo chamando por mim! Embora tão fraco e pequeno caminho sereno, com a força que vem de Ti. A cada momento que passa revivo esta graça de ser Teu sinal aqui! Tu és a razão da jornada...”.


Pe. Paulo Cezar Mazzi             

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

VOCÊ É UMA MISSÃO

Missa do 2º. dom. comum. Isaías 49,3.5-6; 1Coríntios 1,1-3; João 1,29-34.

            Por que você nasceu? Por que você existe? Segundo a Biologia, no momento da ejaculação 300 milhões de espermatozóides correm para fecundar o óvulo, mas somente um consegue, o que significa que você foi uma escolha da vida entre trezentos milhões de outras possibilidades. Então, por que a vida escolheu você e não outra pessoa? A resposta a essa pergunta nos é oferecida hoje pela Palavra de Deus: “Ele (o Senhor)... me preparou desde o ventre materno para ser seu servo” (Is 49,5). No princípio de tudo, no princípio da existência de cada um de nós não está o acidente, o acaso, a coincidência, mas o desejo de Deus, a escolha que Ele fez de cada um de nós. Ele nos escolheu para uma missão.
            Quando o Papa Francisco escreveu “A Alegria do Evangelho”, teve a felicidade de usar uma expressão maravilhosa: “Eu sou uma missão nesta terra e por isso estou neste mundo” (EG 273). Você nasceu não apenas porque tem uma missão; você é uma missão; sua existência neste mundo é única e vai deixar uma marca única de Deus para a humanidade. Deus escolheu você para ser um servo Seu. Perceba que a palavra “servo” se repetiu três vezes na primeira leitura. Para os tempos atuais, não é uma palavra simpática, mas vista de maneira negativa, depreciativa. No entanto, aos olhos de Deus ela se reveste de um importante significado: ser servo é ser escolhido e preparado para a missão de reconduzir as pessoas para a verdade, para a luz, para a libertação, para a salvação.      
            Fica fácil perceber que a palavra “servo” se encontra dentro da palavra “serviço”. Jesus é, por excelência, o “Servo” do Pai e quis que nós seguíssemos o seu exemplo, ao dizer: “Eu estou no meio de vocês como aquele que serve” (Lc 22,27). No entanto, no mundo atual, muitas pessoas desenvolveram a habilidade de perverter o “serviço” em “cargo” (poder). Desse modo, na nossa e em outras igrejas, muitos ambicionam cargos, mas poucos desejam servir. Essa ambição frequentemente se apresenta travestida de “amor à Igreja”, quando, na verdade, é amor ao próprio ego, amor a uma necessidade doentia de ocupar um cargo, de sentir-se superior, de servir-se dos outros para realizar o seu projeto pessoal de vida.     
            Por decepção com as pessoas ou com o mundo; por cansaço, por esgotamento ou por não ver “resultados” em sua missão, infelizmente muitos deixaram de servir; se tornaram pessoas até mesmo amargas, descrentes, desencantadas em relação à própria missão. Se você às vezes se sente assim, medite sobre essas palavras da Santa Madre Teresa de Calcutá: “O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo... O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã. Faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode não ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja você que, no final das contas, é tudo entre você e Deus. Nunca foi entre você e os outros”.
            Os textos bíblicos de hoje também nos colocam diante de outro servo de Deus: o apóstolo Paulo. Ele tinha a consciência de ser chamado a ser apóstolo pelo próprio Deus e não por uma ambição pessoal ou pela escolha dos homens. E ele nos disse uma coisa muito importante: nós, cristãos, fomos chamados pelo mesmo Deus a uma vida de santidade, santidade que significa pertencer a Deus e não ao mundo; santidade que significa procurar pautar a nossa vida pelo Evangelho e não pelo “todo mundo faz isso”.
            Por fim, o Evangelho nos coloca diante do testemunho de João Batista em relação a Jesus. Esse testemunho nos lembra que a nossa missão é ser, com todos os nossos limites e imperfeições, um sinal que aponta constantemente para Jesus Cristo, ajudando com que as pessoas do nosso tempo se encontrem com “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). O problema é que designar Jesus como “Cordeiro” não diz muito ao nosso mundo atual. Por isso, temos que recordar que, assim como o cordeiro pascal esteve presente no momento em que os hebreus foram libertos da escravidão do Egito (cf. Ex 12,1-28), assim Jesus é o Cordeiro que nos faz realizar a nova e definitiva Páscoa, a passagem da escravidão, onde deixamos de viver submetidos ao domínio do pecado, para uma vida que se deixa conduzir pelo Espírito de Deus, Espírito que sustentou Jesus em sua missão e que hoje sustenta a nós, discípulos Seus.  
            Se o pecado ainda se faz presente no coração de cada um de nós e nas estruturas da nossa sociedade, é porque a nossa luta contra ele segue como uma tarefa diária, como diz a carta aos Hebreus: “(...) deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós e continuemos a correr, sem desanimar, a corrida marcada para nós. Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa” (Hb 12,1-2). Renovemos a nossa adesão ao Espírito Santo, com O qual Jesus nos batizou. Retomemos a cada dia a consciência da missão viva que somos como pessoas e a fidelidade ao serviço que o Senhor nos chamou a realizar, para que a Sua salvação chegue aos confins da terra (cf. Is 49,6).

Para a sua oração pessoal: Coração adorador (Banda Dom)


Pe. Paulo Cezar Mazzi

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

SER UM EVANGELHO VIVO

Missa da Epifania do Senhor. Palavra de Deus: Isaías 60,1-6; Efésios 3,2-3a.5-6; Mateus 2,1-12.
 
            Nos dias em que Jesus nasceu, uma estrela serviu de sinal para guiar os magos do Oriente até onde Ele se encontrava. Este fato nos leva a perguntar: no mundo atual existem sinais que apontam para Deus? A estrela provocou os magos de tal maneira que eles saíram de si mesmos, se desacomodaram, colocando-se a caminho e sendo atraídos pela estrela, até encontrarem o menino Jesus. Hoje, existe algo que provoque as pessoas, de forma a atraí-las para Deus? Certa vez, o Papa Francisco disse que nossa Igreja deve conquistar as pessoas por atração. Isto significa que elas devem sentir-se atraídas pela luz da nossa alegria e da nossa esperança em Cristo. Nós temos essa luz conosco? Nosso rosto expressa alegria e esperança? Nós somos uma Igreja que atrai as pessoas para Deus? Como fica essa questão de atração numa época em que a maioria das pessoas só é atraída se houver promessas de satisfação dos seus caprichos pessoais?
            Quando falamos de “sinal”, há um detalhe importante a ser considerado: o sinal, para ser sinal, precisa ser também contraste. A luz da estrela só foi perceptível e só atraiu os magos porque contrastava com a escuridão da noite. Isso significa que nós, cristãos, só nos tornamos um sinal que atrai as pessoas para Jesus na medida em que contrastamos com o mundo. Contrastar com o mundo não significa ser moralista, nem se achar melhor do que os outros, mas estar no mundo sem perder a sua identificação com o Evangelho. Porém, é cada vez mais perceptível que nós, cristãos do século XXI, temos nos tornado sempre mais “mundanos”, seja porque também nós queremos usufruir daquilo que o mundo oferece, seja porque a luz do Evangelho tem sido cada vez mais combatida, criticada, desprezada e ridicularizada pelas pessoas que convivem conosco, o que nos leva a diminuir a sua intensidade para que ela se torne imperceptível e não mais nos traga “incômodos”.   
            Pense um pouco nisso: você contrasta com as pessoas com quem convive, no que diz respeito à sua maneira de entender o casamento, a família, a educação dos filhos, na maneira de lidar com sua sexualidade, de se envolver com a política, com as questões sociais, de modo a colaborar para que a sociedade e o mundo se tornem mais justos? Você suporta a crítica, a perseguição e o desprezo por parte dos outros – até mesmo da família, dos “amigos”, da própria comunidade de fé – quando você, por fidelidade ao Evangelho, contrasta com o mundanismo que se tornou parte da identidade deles? Num mundo marcado por tanta escuridão, você continua cuidando da sua luz, mesmo que sinta que essa tarefa é, às vezes, dolorosamente solitária? 
            “Levanta-te, resplandece... As nações caminharão à tua luz” (Is 60,1.3). Santa Madre Teresa de Calcutá gostava de dizer às pessoas: “Talvez você seja o único evangelho que seu irmão lê”. Neste mundo mergulhado numa profunda escuridão chamada “desorientação existencial”, talvez você seja o único ponto de luz para aquela pessoa com que você convive. Por isso, é preciso que você cuide e valorize a pequena luz que há em você: a luz da fé, da bondade, da humildade, da retidão de comportamento, da fidelidade, do serviço em favor da justiça, aquela luz que, de alguma forma, faz com que a pessoa que convive com você sinta o desejo de se voltar para Deus. Lembre-se: “Tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá” (Mt 2,6), o que significa que a sua luz, ainda que aparentemente pequena, é necessária para ajudar a reconduzir pessoas para Deus.
Muitos hoje desistiram de buscar a Deus, porque o caminho da fé é muitas vezes árduo, exige perseverança, discernimento, um caminho feito não apenas de respostas, mas de muitas perguntas. A busca dos magos do Oriente por Jesus foi uma busca sofrida. Nada estava totalmente claro para eles. Tiveram que fazer perguntas; tiveram que se deparar com a falsidade e a maldade de Herodes; tiveram que lidar com a indiferença de tantos habitantes de Jerusalém. Mas eles não desistiram: caminharam no meio da noite, até encontrarem Jesus. Temos essa determinação em nossa procura por Deus? Temos determinação em continuar a ser um sinal que conduz as pessoas para Deus?
Se quisermos experimentar a alegria que os magos experimentaram, precisamos aceitar conviver com perguntas, sem exigir logo respostas; precisamos nos desacomodar e nos dispor a caminhar ao encontro de Deus, sabendo que nas noites escuras da nossa fé Ele sempre providenciará uma estrela para nos guiar, até que possamos estar diante de seu Filho, reconhecendo-O como nosso Salvador, como Aquele que o nosso coração sempre buscou.
Por fim, o Evangelho de hoje nos lembra que Jesus nasceu como “dom” de Deus, como o grande “presente” que o Pai enviou à humanidade. Diante deste “presente”, os magos abriram seus cofres e ofereceram a Jesus seus presentes: ouro, incenso e mirra. Essa atitude dos magos lembra uma frase veiculada nos anos 80: “A pessoa que eu sou é um presente da vida para mim. A pessoa que eu posso me tornar é um presente meu para a vida” (autoria desconhecida). Que você ofereça a Deus e à humanidade o seu melhor, sabendo que o ouro significa o que você tem de mais precioso; o incenso, o que você tem de mais sagrado; a mirra, o que você tem de mais humano, sua dor mais intensa, sua ferida mais profunda.

  Pe. Paulo Cezar Mazzi


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

QUAL RUMO VOCÊ PRETENDE DAR À SUA VIDA EM 2017?

Missa Maria, Mãe de Deus. Palavra de Deus: Números 6,22-27; Gálatas 4,4-7; Lucas 2,16-21.
    
            Nesta noite (ou neste dia) em que começamos a viver um novo ano, uma pergunta torna-se necessária: Que rumo você pretende dar à sua vida neste novo ano? Que rumo você gostaria de dar à sua vida afetiva (relacionamentos), profissional (financeira) ou espiritual, neste ano de 2017? O rumo que damos à nossa vida depende do que desejamos alcançar; depende de onde queremos chegar... Por isso, é importante lembrar esta verdade: “Se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve” (Lewis Carroll). Se você não toma a sua vida nas mãos e não assume a responsabilidade por suas escolhas e decisões, viverá o ano de 2017 como uma folha seca, jogada de um lado para o outro pelo vento do acaso...
            É verdade que o rumo que escolhemos dar à nossa vida, seja em que sentido for, também é afetado a partir de fora, pela situação política e econômica do nosso país; no entanto, é muito importante que cada um de nós tenha um desejo, um objetivo, uma meta; que cada um de nós saiba para onde quer ir com sua vida. Isso nos ajuda a fazer escolhas e tomar decisões segundo os valores que devem orientar a nossa consciência e o nosso coração, ao invés de simplesmente ‘seguirmos o fluxo’, vivendo como ‘massa de manobra’ e permitindo que o mundo nos ‘deforme’ segundo a sua própria desorientação.    
            Ao iniciarmos um novo ano, o apóstolo Paulo nos coloca diante de uma palavra sempre presente nos lábios e no coração de Jesus, em seu relacionamento com Deus: a palavra “Abbá”, que significa “Papai”. Paulo nos convida a rejeitar a identidade que o mundo quer nos impor a partir de fora, a identidade de escravos: escravos do medo, da insegurança e da superstição; escravos do consumismo, das drogas e do dinheiro; escravos da tecnologia, da vaidade e da ignorância religiosa. Eis as palavras do apóstolo: “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: ‘Abbá! Pai!’ Portanto, você já não é escravo, mas filho” (Gl 4,6-7).
            A palavra “Abbá/Papai!” deve estar presente em seus lábios e em seu coração em cada passo, nessa nova estrada que se abre diante de você, que é o ano de 2017. ‘Eu não sou uma pessoa órfã, jogada ao acaso neste mundo. Papai me guia, me orienta, me protege. Papai me sustenta; às vezes, quando é necessário, me carrega no colo; outras vezes, Ele me lembra que eu tenho duas pernas sobre as quais me sustentar em pé e com as quais caminhar como uma pessoa adulta, sem fazer corpo mole. Papai também me corrige, permitindo que eu sofra a consequência de meus erros para que eu possa aprender o que preciso aprender. Papai constantemente me recorda que Ele é Papai de todos os seres humanos; portanto, todos os homens são meus irmãos; todos, sem nenhuma exceção’.
            Para o mundo bíblico, a única “coisa” que mantém um filho vivo, realizado, em paz e feliz, é a bênção de seu pai. Por isso, cada um de nós, filho/filha de Deus, é convidado a se colocar sob a bênção do nosso Abbá/Papai, invocando também esta bênção sobre todo ser humano, especialmente sobre aqueles que, por causa das guerras, dos conflitos, da violência, das perseguições; por causa de algum tipo de injustiça, da doença, da fome ou do desemprego, não estão conseguindo saber para onde ir com sua vida; sobre todos estes, especialmente, nós invocamos a bênção do nosso Abbá/Papai: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz” (Nm 6,24-26).
O dia 1º. de janeiro é o dia mundial da paz. Na sua mensagem para este dia, o Papa Francisco nos convida a fazer “da não violência ativa o nosso estilo de vida... Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não violência tornar-se o estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações...”. Segundo Francisco, a humanidade vive hoje uma espécie de “guerra mundial aos pedaços... Esta violência que se exerce ‘aos pedaços’, de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental... A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado”. Por fim, o nosso Papa afirma que “nenhuma religião é terrorista. A violência é uma profanação do nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra” (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2017).
Voltando nosso coração para o Evangelho de hoje, somos convidados a aprender com Maria a meditar e conservar no coração todas as coisas, procurando perceber nos acontecimentos os apelos de Deus, a voz do Seu Espírito nos falando, nos conduzindo para fora dos nossos horizontes fechados, nos ajudando a reencontrar o rumo que devemos dar à nossa vida, para que ela possa atingir a meta que Deus deseja para nós, para toda a humanidade: a comunhão com Seu Filho Jesus Cristo e sua salvação.
Oito dias depois de seu nascimento, o Filho de Deus nascido de Maria recebeu o nome de Jesus, que significa “Deus salva”. Nós, seres humanos, temos consciência de que precisamos ser salvos? Onde e de que forma costumamos buscar nossa salvação? A salvação do filho está na presença do Pai junto de si. Se Jesus, ao nascer, nos deu a bênção da filiação adotiva e, por meio d’Ele, podemos chamar a Deus de Abbá/Papai, o Pai, por sua vez quis fazer da presença de seu Filho junto a nós a presença da Sua própria salvação. Que estes dois nomes estejam em nossos lábios e em nosso coração ao longo deste novo ano: pelo nome “Abbá/Papai”, afirmamos a consciência da nossa filiação divina, e pelo nome “Jesus” invocamos a salvação do Pai sobre cada um de nós, sobre cada filho Seu.

                        Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

TRÊS REFLEXÕES OPORTUNAS PARA ESTE FINAL DE 2016

LIXOS EXISTENCIAIS

Se é verdade que a cada dia basta a sua carga, por que então teimamos em carregar para o dia seguinte nossas mágoas e dores? Há ainda os que carregam para a semana seguinte, o mês seguinte e anos afora... Nos apegamos ao sofrimento, ao ressentimento, como nos apegamos a essas coisinhas que guardamos nas nossas gavetas, sabendo inúteis, mas sem coragem para jogar fora. Vivemos com o lixo da existência, quando tudo seria mais claro e límpido com o coração renovado.
As marcas e cicatrizes ficam para nos lembrar da vida, do que fomos, do que fizemos e do que devemos evitar. Não inventaram ainda uma cirurgia plástica da alma, onde podem tirar todas as nossas vivências e nos deixar como novos. Ainda bem.
Não devemos nos esquecer do nosso passado, de onde viemos, do que fizemos, dos caminhos que atravessamos. Não podemos nos esquecer das nossas vitórias, nossas quedas e nossas lutas. Menos ainda das pessoas que encontramos, essas que direcionaram nossa vida, muitas vezes sem saber. O que não podemos é carregar dia a dia, com teimosia, o ódio, o rancor, as mágoas, o sentimento de derrota.
Acredite ou não, mas perdoar a quem nos feriu dói mais na pessoa do que o ódio que podemos sentir toda uma vida. As mágoas envelhecidas transparecem no nosso rosto e nos nossos atos e moldam nossa existência. Precisamos, com muita coragem e ousadia, abrir a gaveta do nosso coração e dizer: eu não preciso mais disso, isso aqui não me traz nenhum benefício e  eu posso viver sem.
E quando só ficarem as lembranças das festas, do bem que nos fizeram, das rosas secas, mas carregadas de amor, mais espaço haverá para novas experiências, novos encontros. Seremos mais leves, mais fáceis de ser carregados mesmo por aqueles que já nos amam. Não é a expressão do rosto que mostra o que vai dentro do coração? De coração aberto e limpo nos tornamos mais bonitos e atrativos e as coisas boas começarão a acontecer. Luz atrai, beleza atrai. Tente a experiência!... Sua vida é única e merece que, a cada dia, você dê uma chance para que ela seja rica e feliz.

Letícia Thompson


TREM BALA
Ana Vilela

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si. É sobre saber que em algum lugar Alguém zela por ti. É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz. É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós. É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito. É saber sonhar e então fazer valer a pena cada verso daquele poema sobre acreditar.
Não é sobre chegar no topo do mundo, saber que venceu. É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu. É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações, e assim ter amigos contigo em todas as situações. A gente não pode ter tudo. Qual seria a graça do mundo se fosse assim? Por isso eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim.
Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar, e sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar. Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais, porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás.
Segura teu filho no colo. Sorria e abraça teus pais enquanto estão aqui, que a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir.


ORAÇÃO DA SERENIDADE

Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver o problema de minha vida, todo de uma vez. Só por hoje terei o máximo de cuidado com o modo de tratar os outros: serei delicado nas minhas maneiras, não criticarei ninguém, não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém senão a mim mesmo. Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz, não só no outro mundo, mas também neste. Só por hoje me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem todas aos meus desejos. Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, pois, assim como é preciso comer para sustentar o meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a minha alma. Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém. Só por hoje farei uma coisa de que não gosto e, se for ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba. Só por hoje farei um programa bem completo de meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo o caso, vou fazê-lo. E evitarei dois males: a pressa e a indecisão. Só por hoje serei bem firme na fé de que a Divina Providência se ocupa de mim, como se existisse somente eu no mundo, ainda que as circunstâncias manifestem o contrário. Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de crer na bondade.

São João XXIII



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O PAI TUDO ASSUMIU EM SEU FILHO, PARA TUDO REDIMIR

Missa do Natal do Senhor. Palavra de Deus: Isaías 9,1-6; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14.

            Certamente, este ano de 2016 colocou muitas perguntas em nosso coração, perguntas que ainda questionam a nossa fé, a nossa alegria, a nossa esperança e até mesmo o sentido da nossa vida. Na verdade, as perguntas são importantes porque nos fazem caminhar, nos fazem ir em busca de respostas. Mas, quantas vezes nós sentimos que o máximo que conseguimos chegar com nossas perguntas é a um muro, a uma parede, a uma espécie de beco sem saída? Quantas vezes o máximo que conseguimos experimentar com nossas buscas é um grande e doloroso silêncio da parte de Deus? 
            Mas a noite (ou o dia) de Natal traz a resposta a toda e qualquer pergunta que o ser humano leva consigo, no coração. Deus escolheu nos responder de uma forma única e surpreendente: “a Palavra (de Deus) se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). “A Palavra se fez carne”, isto é, pessoa humana, sujeita à dor, ao sofrimento, à injustiça e à morte. Esta Palavra é a resposta de Deus às nossas perguntas mais profundas. Para um mundo como o nosso, sempre mais ambicioso, admirador da grandeza e adorador do poder, Deus envia seu Filho como Salvador da humanidade na fragilidade de um menino: “(...) nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho” (Is 9,4-5).
            Deus é assim, sempre surpreendente! Talvez você esperasse que a salvação d’Ele chegasse à situação social do nosso país ou à sua vida particular por meio de um Juiz do Supremo, ou por meio de um Senador ou Deputado de Brasília, por meio de uma pessoa forte, poderosa, influente... Mas Ele convida você a contemplar o menino que nasceu em Belém, o menino que, ao nascer, foi colocado numa manjedoura, “pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7).
            O que esse menino pobre, totalmente despojado, sem um lugar digno para nascer, poderia estar dizendo a mim, a você, ao nosso país, à humanidade? O fato do Salvador do mundo ter como seu primeiro berço uma manjedoura, o lugar onde se coloca comida para os animais, nos diz alguma coisa? Você se decepciona ou se encanta pela maneira como Deus escolhe vir até você? Embora não houvesse lugar para eles, a estrebaria foi uma brecha possível para Maria dar à luz o Filho de Deus. Existe alguma brecha na sua vida pela qual Deus possa fazer entrar a Sua luz neste momento?
            Oito séculos antes de Jesus nascer, uma promessa havia sido feita à humanidade: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu... O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar estas coisas” (Is 9,1.6). Segundo o evangelista João, Jesus é “a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano” (Jo 1,9). E o apóstolo Paulo nos deixou claro o sentido do nascimento de Jesus: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens” (Tt 1,11). Aqui temos indicações importantes de como podemos celebrar o Natal...
            Para toda e qualquer pessoa que se encontra na escuridão e na sombra da morte – dependentes químicos, refugiados, perseguidos, injustiçados, desempregados, doentes etc. – cada um de nós é chamado a ser uma presença concreta da luz d’Aquele que, sendo luz, também disse a nosso respeito: “Vocês são a luz do mundo” (Mt 5,14). Em sintonia com a Encarnação de Jesus, a nossa luz deve concretamente ser vista, sentida, experimentada e “apalpada” pelo máximo de pessoas, porque Deus enviou seu Filho como Salvador de toda a humanidade. O anúncio do anjo aos pastores na noite de Natal – “Eu vos anuncio uma grande alegria... Hoje (...) nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc 2,10.11) – precisa de cada um de nós para se encarnar na realidade de tantas pessoas que necessitam sentir que também para elas existe um Salvador, que é Cristo Senhor!
            O Natal nos revela que Deus escolheu vir nos salvar não na pessoa de um homem adulto, forte e com super poderes, mas na pessoa de um menino recém nascido, pobre, indefeso, frágil e exposto a todo tipo de dor e de riscos. Diante deste mistério cada um de nós é convidado a dobrar seus joelhos, abaixar-se, esvaziar-se de todo tipo de orgulho, soberba ou arrogância, diminuir-se, para então poder aproximar-se deste Menino e ficar sob a Sua luz, luz que veio curar o que estava ferido, corrigir o que estava errado, encontrar o que estava perdido, reconduzir o que estava extraviado, libertar o que estava aprisionado, perdoar o que estava condenado...
            Hoje, ao contemplar o Menino Jesus, lembremos das palavras de São Gregório de Nissa († 394): “O que não foi assumido pelo Verbo, não foi redimido.” Dizendo de outra forma, só o que é assumido pode ser redimido. Jesus, ao se encarnar, assumiu tudo o que em mim, em você, em cada pessoa existe de humano, frágil, passível de erro, de dor e de sofrimento; Ele assumiu a nossa carne, a nossa condição mortal, para nos redimir, nos resgatar, nos salvar. Por isso, podemos acolher na fé esta Palavra que hoje nos é dirigida com toda a sua verdade: “Não tenhais medo... Eu vos anuncio uma grande alegria... Hoje nasceu para vós um Salvador!” Bendito seja Deus, nosso Pai, por ter vindo redimir e salvar a humanidade na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo!

Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

DEUS PROCURA POR "JOSÉS"

Missa do 4º. dom. do advento. Palavra de Deus: Is 7,10-14; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24.     

            Sempre que nos preparamos para celebrar o Natal e pensamos em Jesus menino, nós o imaginamos nos braços de Maria, sua Mãe. É como se as luzes dos holofotes se concentrassem unicamente no Menino e na sua Mãe, enquanto José, o pai, permanece na sombra, no escuro, como se não fosse importante. De fato, Deus não precisou de José para trazer Jesus ao mundo. O nascimento de Jesus a partir de Maria, sem a participação de José, se deu dessa forma para entendermos que a origem de Jesus é divina. De fato, o Evangelho de hoje começa com essas palavras: “A origem de Jesus Cristo foi assim...” (Mt 1,18).    
            José não está na origem de Jesus Cristo nascido como nosso Salvador, mas o Evangelho de hoje nos diz algo muito importante: Deus procura pessoas que cuidem de tudo aquilo que Ele, por meio do Espírito Santo, tem gerado no coração da humanidade em vista da sua salvação. Deus procura por “Josés”, por homens e mulheres que protejam a vida, alimentem a esperança e possibilitem o nascimento de um mundo mais justo, de um mundo ajustado ao bem, à felicidade e à salvação que Deus quer para cada ser humano.
            Por não entender o que estava acontecendo, por não querer prejudicar Maria, que poderia ser acusada de adultério e, portanto, apedrejada, José havia decidido fugir, preferindo levar sobre si a acusação de ter sido um homem irresponsável. Mas enquanto ele dormia, Deus falou ao seu inconsciente por meio de um sonho, e lhe mostrou que a sua presença na vida de Jesus e de Maria era extremamente importante: “José, (...) não tenha medo de receber Maria... Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus...” (Mt 1,20.21).
Naquela época, era função do pai dar o nome ao filho, assumindo assim, plenamente, a sua paternidade. Se Deus não precisou de José para gerar Jesus no ventre de Maria, quis precisar dele para que Jesus crescesse como pessoa humana junto de um pai. Essa atitude de Deus, por um lado, mostra que Ele quer que você se torne “pai”, que você assuma como “seu” o sonho de Deus em “salvar o seu povo”, em salvar aquelas pessoas com as quais você convive no seu dia a dia. Por outro lado, essa insistência de Deus na permanência de José junto de Maria e do Menino que vai nascer aponta para essa preocupante “ausência” do pai em nossa sociedade.
Na sua exortação “A alegria do amor”, o Papa Francisco nos lembra que “a ausência do pai penaliza gravemente a vida familiar, a educação dos filhos e a sua integração na sociedade” (n.55). Conforme já mencionamos, por ocasião do dia dos pais, uma reportagem da Folha de São Paulo, publicada em 27 de junho deste ano, constatou que 2 em cada 3 menores infratores não têm pai dentro de casa. Para o Papa Francisco, só um pai com uma clara e feliz identidade masculina pode ajudar o filho “a perceber os limites da realidade, caracterizando-se mais pela orientação, pela saída para o mundo mais amplo e rico de desafios, pelo convite a esforçar-se e lutar” (n.176).
A ausência, física ou afetiva, de José tem colaborado para que muitos filhos cresçam fracos, covardes, acomodados e incapazes de dialogar com a vida olhando-a nos olhos. Por outro lado, é preciso reconhecer e louvar tantos filhos que souberam transformar suas feridas paternas em pérolas, e escolheram dar um sentido à ausência paterna que marcou-lhes a infância ou a adolescência, decidindo responsabilizar-se pela própria vida e abrindo-se a um futuro melhor.  
            O Evangelho de hoje nos convida a orar por algumas situações específicas...

            Pai, hoje Te pedimos por todos os “Josés”, por todos os homens que se sentem desorientados ou angustiados, especialmente pelos que estão ameaçados por algum mal ou alguma injustiça... Fala ao coração deles, como o Senhor falou ao coração de José. Orienta-lhes, dá-lhes discernimento, indica-lhes a direção e o caminho que devem seguir neste momento. Também Te pedimos, Senhor, por todas as “Marias” que foram abandonadas em sua gravidez ou logo que o filho nasceu, para que não lhes faltem recursos materiais, emocionais e espirituais, a fim de que se sintam amparadas por Ti e possam cuidar da vida que delas tanto depende neste momento. Às Tuas mãos confiamos ainda, Pai, cada filho – criança, adolescente ou jovem – que cresceu ou está tendo que crescer sem a presença afetiva de um pai junto de si. Que eles experimentem a verdade do Teu amor e o cuidado da Tua providência em si mesmos e no seio de suas casas. Enfim, Senhor, estende Tua mão paterna sobre a humanidade, que se sente muitas vezes órfã, sem pai, com a vida entregue ao acaso. Torna o nosso coração semelhante ao de José, um coração justo, isto é, uma consciência ajustada à Tua verdade e mãos ajustadas à Tua vontade. Assim, a celebração do Natal que se aproxima possa ser vivida como uma verdadeira experiência de que “Deus está conosco” e continua a cuidar de cada ser humano como o pai que cuida do seu único filho. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

                                                             Pe. Paulo Cezar Mazzi