quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DOIS MONTES, DOIS PAIS, DOIS FILHOS ÚNICOS, DUAS IMAGENS DE DEUS

Missa do 2º. dom. da quaresma. Palavra de Deus: Gênesis 22,1-2.9a.10-13.15-18; Romanos 8,31b-34; Marcos 9,2-10.

Dois montes: aquele que Abraão sobe, levando consigo Isaac, e aquele que Jesus sobe, levando consigo Pedro, Tiago e João. Dois pais: Abraão e Deus. Dois filhos únicos, amados: Isaac e Jesus. Duas imagens de Deus: o Deus Pai que poupou Isaac do sacrifício, e o Deus Pai que “não poupou seu próprio Filho (do sacrifício da cruz), mas o entregou por todos nós” (Rm 8,32).
Neste segundo domingo da quaresma, a Escritura se dirige a nós dizendo: “Deus pôs Abraão à prova” (Gn 22,1). Não somente neste período de Quaresma, mas ao longo da vida, Deus também nos põe à prova: ‘Você caminha comigo por causa de Mim ou por causa daquilo que Eu posso fazer por você?’ ‘Você me procura por Mim mesmo ou por causa das minhas bênçãos?’ ‘Você permanece firme, segurando em minhas mãos, somente enquanto Eu te ajudo ou também quando Eu, aparentemente, deixo de te ajudar?’ ‘Você confia em Mim somente quando Eu te dou algo ou também quando eu permito que você perca aquilo que Eu te dei?’
“Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas... e oferece-o... em holocausto sobre um monte que eu vou te indicar” (Gn 9,2). Todos nós temos o nosso Isaac, alguém ou algo que amamos como se fosse nosso filho único. Isaac pode ser minha saúde, meus bens materiais, minha beleza, minha jovialidade, minha carreira profissional, minha fama, minha projeção na sociedade, mas também meu vício, meu pecado, meu prazer...
Isaac é sempre aquilo que eu tanto amo. Oferecer isso a Deus em “holocausto” significa “matar e queimar”, de modo que sobrem apenas cinzas daquilo que eu tanto amo. Em outras palavras, devo dar tudo a Deus, sem ficar com parte alguma comigo para guardar de lembrança. Quem de nós consegue fazer isso? Na verdade, só existe um jeito de abrir mão daquilo que tanto amamos e entregá-lo a Deus: se houver confiança. É o que a Escritura chama de temor: “Agora sei que temes a Deus...” (Gn 22,12). O temor bíblico é sinônimo de confiança e de obediência: eu não sei por que Deus está me pedindo isso, mas eu confio que Ele sabe o que está fazendo. Não entendo, não compreendo, me parece um grande absurdo, mas eu confio; confio e me mantenho agarrado às mesmas Mãos às quais entreguei o que eu mais amo na minha vida.
“Não me recusaste teu filho único” (Gn 22,12). Quantas coisas você já recusou entregar a Deus? Não se trata de entregar aquilo que você tanto ama para que Deus mate, queima e destrua, mas para que Ele cuide. Isaac foi poupado do sacrifício justamente para corrigir uma imagem errada que se tinha de Deus na época. Então, por que nós recusamos entregar tantas coisas a Deus? Por que nós recusamos entregar aquilo que mais amamos a Deus? Porque não confiamos n’Ele; porque queremos ficar no controle, achando que aquilo que estará mais seguro em nossas mãos do que nas mãos de Deus.
Quanto menos confiamos em Deus, mais recusamos a nos entregar em Suas mãos. No entanto, o apóstolo Paulo nos convida a exercitar a nossa confiança em Deus, nos apoiando nesta verdade: “Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele?” (Rm 8,32). Tudo o que eu “perco” para Deus está a salvo, porque sei que Ele me dará tudo junto com seu Filho Jesus Cristo. Só quando confiamos nisso é que podemos dizer com o salmista: “Guardei a minha fé mesmo dizendo: ‘É demais o sofrimento em minha vida!’” (Sl 116,10). Guardei a minha fé mesmo quando Deus permitiu que eu perdesse o que mais amava em minha vida. Infelizmente, para a maioria de nós, quando se torna demais o sofrimento em nossa vida, a primeira coisa que perdemos, a primeira coisa que vai embora, é a nossa fé...
            No final do texto bíblico, fica claro o motivo pelo qual Deus colocou Abraão à prova: para nos ensinar que a fé só é verdadeira quando se traduz em obediência. “Eu te abençoarei e tornarei... numerosa tua descendência... porque me obedeceste” (Gn 22,17.18). E o Evangelho esclarece que obedecer a Deus significa escutar seu Filho Jesus: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” (Mc 9,7). Se Jesus está agora transfigurado diante dos discípulos e de nós é para que compreendamos que a desfiguração das provas e da cruz de cada dia se desdobrará na transfiguração definitiva, que é a ressurreição, a verdadeira bênção que o Pai reservou para todos aqueles que não se recusam a obedecê-Lo, qualquer que seja a circunstância em que estão vivendo.  

Para a sua oração pessoal: LOUVAREI NA TEMPESTADE (PG) 

http://letras.mus.br/pg/1615873/ ou https://www.youtube.com/watch?v=9j2YjkSCVaM

                                                                                    
         Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PARA ONDE APONTA A CURVATURA DA SUA VIDA?

Missa do 1º. dom. da quaresma. Palavra de Deus: Gênesis 9,8-15; 1Pedro 3,18-22; Marcos 1,12-15.

Neste primeiro domingo da quaresma, a Palavra de Deus faz duas referências a Noé, à arca e ao dilúvio (1ª. e 2ª. leituras). O que isso tem a nos dizer? Na visão teológica, o dilúvio foi uma resposta de Deus à maldade do ser humano: “Deus viu que a maldade do homem era grande sobre a terra, e que era mau todo desígnio de seu coração. Deus arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra... ‘Farei desaparecer da superfície do solo os homens que criei... porque me arrependi de tê-los feito’” (Gn 6,5-7). Na visão científica, o dilúvio se explica como uma contra reação da natureza à ação exterminadora do homem sobre o meio ambiente.
Séculos se passaram e hoje a região mais rica do Brasil está de joelhos, sofrendo a ação exterminadora da falta de chuva. Graças a Deus, fevereiro tem nos trazido chuvas acima da média, mas o estrago feito pela falta de chuva no ano passado vai demorar cerca de 10 anos para ser reparado, isso se chover segundo a média dos anos anteriores, coisa que dificilmente acontecerá. A falta de chuva no Sudeste é consequência do desmatamento da Amazônia: o ser humano extermina as árvores, responsáveis pela formação de nuvens, e agora corre o risco de ser “exterminado” pela falta de água.
Mas, voltemos a Noé. Ele “encontrou graça aos olhos de Deus” (Gn 6,8). Noé foi instrumento de Deus para salvar, para recomeçar a humanidade. Você é só mais um que faz o mau sobre a terra ou é alguém a partir de quem Deus pode recuperar a humanidade? Hoje nós vemos inúmeras vidas sendo exterminadas pelo “dilúvio” da violência e das drogas, vidas afogadas nos vícios e nas dívidas, consequência dos vícios; vidas exterminadas pelo fanatismo religioso e pelo mercado financeiro; vidas exterminadas pelo suicídio, cometido por pessoas afogadas em seus problemas, em seus conflitos, incapazes de lidarem com frustrações... De que forma podemos ser “Noé” para essas pessoas?
Depois do dilúvio, o arco-íris surgiu no céu: “Estabeleço convosco a minha aliança: numa mais nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio... Ponho meu arco nas nuvens como sinal de aliança entre mim e a terra... Eu me lembrarei de minha aliança convosco e com todas as espécies de seres vivos” (Gn 9,11.13.15). A curvatura de um arco mostra a direção para a qual ele aponta a sua flecha. O arco-íris aponta para o céu. Qual a direção que você está dando à flecha da sua vida? Quais são as suas metas, os seus objetivos, como ser humano? O Salmo 25,4-5 convida você a apontar a sua existência para o céu, a manter a sua consciência aberta para Deus: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!”
Vivemos numa época em que o individualismo e a indiferença para com o próximo estão exterminando a humanidade. Por isso, a Campanha da Fraternidade deste ano nos convida a retomar a consciência da nossa presença cristã na sociedade. Concretamente, este é o apelo do Espírito de Deus a cada cristão: Seja SAL DA TERRA: como o sal preserva a carne do apodrecimento, envolva-se em trabalhos que ajudem a preservar a vida à sua volta (cf. Mt 5,13). Seja LUZ DO MUNDO: leve, com suas atitudes, a luz do Evangelho a quem se encontra na escuridão (cf. Mt 5,16). Seja FERMENTO NA MASSA, uma presença de Deus onde Ele é ignorado, negado ou mesmo rejeitado (cf. Mt 13,33). Seja BÁLSAMO: visite doentes, idosos, pessoas solitárias. Leve uma palavra de conforto a quem está abatido (cf. Is 50,4). Seja ANJO DA GUARDA: ajude no trabalho com menores carentes, jovens dependentes químicos e famílias desestruturadas, como Jesus, que veio procurar e salvar o que estava perdido (cf. Mt 18,1-7.12-14; Lc 19,10). Seja ALIMENTO: ofereça seus cinco pães e seus dois peixes para que não haja fome e os desempregados não precisem se tornar criminosos para sobreviverem (cf. Mt 14,13-21). 
Para finalizar esta reflexão, o Evangelho nos aponta para o perigo real das tentações. O verdadeiro cristão não deve ceder à tentação do pessimismo – chegar à conclusão de que o ser humano não tem regeneração; ou à tentação de ceder ao mal – corromper-se, anestesiar sua consciência a partir dos contra valores do mundo, deixando de ser fiel aos valores do Evangelho. O verdadeiro cristão não pode ceder à tentação de aderir à violência – matar, exterminar, tornar-se agressivo. Por fim, nenhum cristão deve ceder à tentação de afrouxar o seu arco e deixar de apontar para Deus... Deixemo-nos conduzir pelo Espírito de Deus que recebemos no Batismo. Que Ele nos dê uma consciência boa, convicta da vitória do bem sobre o mal, da vida sobre a morte, a partir da ressurreição de Jesus Cristo.    


Para a sua oração pessoal: 
TEMPO DE VOLTAR (Pe. Fábio de Melo)

Pe. Paulo Cezar Mazzi


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

QUARENTA DIAS: O MOMENTO FAVORÁVEL

Missa da 4ª. feira de cinzas. Palavra de Deus: Jl 2,12-18; 2Cor 5,20 – 6,2; Mateus 6,1-6.16-18.

Você pode se ferir ou ficar doente rapidamente, mas para que a sua ferida seja curada vai levar algum tempo. Você pode quebrar algo em um segundo, mas para que aquilo seja consertado pode levar algum tempo. Quando Jonas anunciou a necessidade de conversão à cidade de Nínive, disse: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída” (Jn 3,4). Em outras palavras, sua vida pode estar caminhando na direção da destruição ou da morte, mas Deus te concede quarenta dias para que você possa mudar de direção suas escolhas, suas decisões, suas atitudes, e assim salvar seu relacionamento, sua família, sua vida profissional, sua alma... A Quaresma é isso: “o momento favorável”, o tempo da salvação, no qual você é convidado a se deixar “reconciliar com Deus” (cf. 2Cor 6,2).
Ninguém de nós segue pela vida sem errar. Nós podemos errar em relação a nós mesmos, em relação à maneira como nos relacionamos com as pessoas e também errar na maneira como nos relacionamos com Deus. Ouvimos o salmista dizer: “o meu pecado está sempre à minha frente” (Sl 51,5). Pecar significa “errar o alvo”. O nosso alvo é a felicidade. Fazemos o que fazemos porque queremos ser amados, queremos ser felizes. Mas podemos errar em relação aos meios que utilizados para alcançar o amor, a felicidade, assim como podemos errar em relação àquilo que entendemos por amor e por felicidade.
Diz o Salmo 16,2-3: “Ó Deus, tu és o meu Deus; nenhum bem eu posso achar fora de ti”. Nenhum bem, nenhuma felicidade, nenhum amor podemos achar fora de Deus, isto é, nos afastando dos Seus caminhos, da Sua verdade, da Sua palavra. É por isso que a Escritura descreve o pecado com essas palavras: “Pratiquei o que é mau aos vossos olhos!” (Sl 51,6). Quantas coisas você tem feito e que aos seus olhos parecem normais? Quantas coisas, apesar de injustas, erradas e destrutivas aos olhos de Deus, você vê como “normais”? Quantas vezes você disse ou ouviu pessoas dizerem: “Eu não vejo que isso seja pecado!”, quando a Escritura deixa claro que pecado não é aquilo que você acha errado, mas aquilo que aos olhos de Deus é mau, errado, injusto e nocivo.      
Sim, pecamos. Estamos quebrados; estamos feridos. Precisamos de cura; precisamos de restauração. E só existe um jeito de sermos restaurados e curados: é nos voltando para Deus: “Voltai para mim com todo o vosso coração” (Jl 2,12). Não é um voltar superficial, mas profundo; não é um voltar apenas uma parte de nós, ainda que fosse a maior, mas um nos voltar por inteiro, com todo o nosso ser. Por isso, o salmista pede: “Lavai-me todo inteiro do pecado” (Sl 51,4).
A Campanha da Fraternidade sempre nos recorda que o nosso pecado pessoal também tem consequências sociais. Inspirada nas palavras de Jesus: “Eu vim para servir” (cf. Mt 20,28), a CF deste ano nos conscientiza de que a presença da Igreja – e de cada um de nós, cristãos – na sociedade deve ser uma presença de serviço em favor da vida, da paz, da justiça, da solidariedade, do resgate de cada ser humano. Nadando contra a corrente do individualismo e da indiferença, devemos proclamar com nossa vida e nossas atitudes que “é nosso dever ajudar alguém, e não só fazer o que nos convém” (música Direito de viver, Cantores de Deus).
Desse modo, iniciamos este período de Quaresma suplicando: “Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido” (Sl 51,12). Criai em mim um coração purificado do veneno do individualismo e da indiferença para com quem sofre; dai-me de novo um espírito decidido, decidido a servir como Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir e dedicar a sua vida em resgate de muitas pessoas (cf. Mt 20,28). 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

LEPRAS QUE HOJE NOS CONTAMINAM

Missa do 6º. dom. comum. Palavra de Deus: 2Reis 5,9-14; 1Coríntios 10,31 – 11,1; Marcos 1,40-45.

            Lepra: uma doença contagiosa, causada por uma bactéria. A lepra começa na pele e pode atingir os nervos periféricos. Seus sintomas são, entre outros: manchas esbranquiçadas na pele e dormência – perda da sensibilidade, a qual pode levar a feridas e à perda de partes do organismo. Apesar de hoje existir tratamento para a lepra, é importante permitir que a Palavra de Deus nos questione a partir dessa doença, mencionada na pessoa do leproso Naamã, que recebeu a cura pelo profeta Elias, e do leproso curado por Jesus, no Evangelho.
            O mundo em que vivemos pode ser chamado de “epidérmico” por dois motivos: primeiro, porque trata questões sérias como as guerras, a fome, o desemprego, as doenças, a corrupção, as injustiças etc. de forma superficial, apenas “maquiando” a pele, sem fazer intervenções mais profundas a fim de solucionar esses problemas; segundo, porque é um mundo excessivamente preocupado com a aparência: o que importa é a estética, a pele bonita, sensual e sedutora, ainda que a pessoa, por dentro, esteja “apodrecendo” na sua consciência, nos seus valores, no seu espírito.
            Existem muitos “tipos” de lepra hoje, mas o mais nocivo e que contamina a todos é a lepra chamada CORRUPÇÃO, cuja “bactéria” é a GANÂNCIA, o apego desordenado ao dinheiro, “a raiz de todos os males”, segundo a Escritura (cf. 1Tm 6,10). Desde o mais alto escalão do governo até o brasileiro mais simples, obviamente com algumas poucas exceções, todos estamos contaminados com a lepra chamada CORRUPÇÃO, lepra que causa DORMÊNCIA em nossa consciência e a consequente PERDA DE SENSIBILIDADE para com quem sofre, vítima da corrupção praticada também por nós.
Exemplos cotidianos de corrupção: pais que pagam escolas particulares e dão presentes caros aos filhos usando dinheiro obtido com desonestidade; funcionários que conseguem atestados falsos de médicos corruptos para ficarem afastados do trabalho; empregados que trabalham três meses e fazem de tudo para serem demitidos e se beneficiarem com o seguro desemprego; fiscais e policiais que recebem propina para não aplicarem multa ou para não punirem os infratores; juízes que vendem sentenças para manter em liberdade grandes traficantes e políticos; empresas que financiam campanhas políticas para depois se beneficiarem do desvio de dinheiro praticados pelos políticos eleitos; pessoas de boa condição social que se cadastram para receber remédios gratuitos, destinados à população carente etc. Em termos de corrupção, difícil dizer quem de nós não é hoje um leproso. A maioria de nós está convencida de que, no Brasil, a lepra compensa (para não dizer “o crime compensa”).
Segundo o Papa Francisco, quem paga o preço da corrupção é o pobre, são os hospitais sem remédios, os doentes que não têm acesso a tratamento, as crianças sem acesso a uma boa educação. Para curar o leproso, Jesus estendeu a mão e tocou nele (cf. Mc 1,41). É de se espantar que hoje os nossos dedos toquem com agilidade a tela ou o teclado de um celular, mas não têm a coragem de tocar naqueles que são a pele de Cristo: “Os pobres, os abandonados, os enfermos, os marginalizados são a carne de Cristo” (Homilia do Papa Francisco em 12/05/2013). É de se admirar que em muitos lares, marido e mulher, pais e filhos se encontrem dentro de uma mesma casa, teclando com outras pessoas pelo celular, mas não conseguem comunicar-se, como se tivessem perdido o jeito de tocar um no outro. É a lepra do isolamento, contaminando famílias e apodrecendo relacionamentos.
Eis a cura para a nossa lepra: “Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não escandalizeis ninguém,... nem a igreja de Deus” (1Cor 10,31-32). O escândalo da corrupção precisa ser eliminado também em nós, simples cidadãos, e não só no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Trata-se de não ficar buscando apenas o que é vantajoso para nós mesmos, mas buscar o que vantajoso para todos, para o bem da sociedade e da humanidade (cf. 1Cor 10,33). Trata-se de aceitar o mesmo processo de purificação pelo qual passou Naamã, o leproso: descer quantas vezes for preciso ao rio de Deus, que é o Espírito Santo, e permitir que as suas águas limpem nossa consciência de todo vestígio de corrupção, devolvendo-nos a inocência, a verdade e a retidão de uma criança (cf. 2Rs 5,14).  
“Se queres, tens o poder de curar-me” (Mc 1,40). O Evangelho de Cristo tem o poder de nos curar, de nos devolver o temor a Deus, o respeito para com os outros, o cuidado para com aquilo que é público, a decência, a honestidade... Deixemo-nos tocar por Jesus, pelo seu Espírito, pelo seu Evangelho. Além disso, colaboremos com Jesus na erradicação da lepra em nossa sociedade, adoecida pelo individualismo e pela indiferença: estendamos nossa mão a cada dia para tocar no necessitado, naquele que ninguém enxerga, por quem ninguém se interessa...

Para a sua oração pessoal:

SE QUERES (Ministério Amor e Adoração) 

http://letras.mus.br/ministerio-amor-e-adoracao/se-queres/ 

                                                                      Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

CURADOS PARA AJUDAR A CURAR UMA HUMANIDADE CADA VEZ MAIS DOENTE

Missa do 5º. dom. comum. Palavra de Deus: Jó 7,1-4.6-7; 1Cor 9,16-19.22-23; Marcos 1,29-39.

A Palavra que hoje ouvimos se inicia com o desabafo de Jó, um homem ferido por uma grave doença, cujos dias se consomem sem esperança, e se conclui com Jesus curando muitas pessoas de diversas doenças. Quantas pessoas você conhece que estão doentes? Quantos de nós, aqui, estamos doentes? Quantas pessoas não aceitam admitir que estão doentes e precisam de ajuda? Apesar de todo avanço da ciência, da medicina e da tecnologia, o câncer e a depressão se dissipam e atingem pessoas de todas as idades e de todas as classes sociais, para mencionar apenas essas duas enfermidades.  
A doença pode surgir em nosso corpo, ou em nossa alma ou ainda em nosso espírito, mas ela se faz sentir em todo o nosso ser. Às vezes, a raiz da doença se encontra fora de nós. Aqui pensamos não só em algum tipo de contaminação, mas nas pressões que a sociedade moderna exerce sobre nós: exigências do mercado, inversão de valores, consumismo etc. Mas, às vezes, a raiz da doença está dentro de nós: a forma como lidamos conosco mesmos, com os outros e com os acontecimentos.
Quer venha de fora, quer venha de dentro, a doença é um grito que precisamos ouvir e que pode estar nos dizendo: ‘Você está agindo contra a sua natureza’; ‘Você está desconsiderando os seus próprios limites’; ‘Você está se distanciando cada vez mais da sua verdade’; ‘Você precisa parar e rever as suas prioridades’; ‘Você se tornou escravo do dinheiro, dos bens materiais, da tecnologia, da pressa’; ‘Você gasta um bom tempo cuidando do seu corpo, mas diz não ter tempo para cuidar da sua alma e do seu espírito’; ‘Você precisa ouvir seus sentimentos e encarar os seus conflitos internos’...
            Um dos males que atualmente está nos adoecendo é o PESSIMISMO. Assim como Jó, constatamos que a vida de todo ser humano é uma luta sobre a terra: luta pela sobrevivência, por um lugar no mercado de trabalho, pela família, pela formação dos filhos etc. Muitas vezes, o resultado dessa luta é frustrante: “meses de decepção” e “noites de sofrimento” – quantos de nós estamos sofrendo de insônia? Os dias correm rápido, sem que possamos assimilar tudo o que nos acontece. Muitas perguntas vão ficando sem respostas, muitos projetos que começamos vão ficando inacabados porque outras exigências ou urgências surgiram. Desse modo, temos a sensação de que nossos dias “se consomem sem esperança” de uma melhora, de uma solução, de um final feliz. Contaminados pelo pessimismo, chegamos à conclusão de que a nossa vida “é apenas um sopro” e nós não voltaremos “a ver a felicidade”.
Diversas vezes o Papa Francisco tem dito que precisamos dizer NÃO ao pessimismo, NÃO ao que ele chama de “psicologia do túmulo”. “A ânsia moderna de chegar a resultados imediatos faz com que os agentes pastorais não tolerem facilmente tudo o que signifique alguma contradição, um aparente fracasso, uma crítica, uma cruz... Desenvolve-se a psicologia do túmulo... Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a se apegar a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como o mais precioso ‘elixir do demônio’. Chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico... Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (A alegria do Evangelho 82-83).
Assim como Jesus segurou a mão da sogra de Pedro e a ajudou a se levantar, assim Ele segura a nossa mão hoje para nos ajudar a nos levantar do túmulo do pessimismo e nos colocar a serviço da vida e da esperança, certos de que a cura, a libertação, a vitória, a superação, a mudança, a transformação nossa e da sociedade humana se dá sempre a partir da cruz, nunca sem ela. Desse modo, os olhos da nossa fé se dirigem para o Senhor, que sempre nos envia sua Palavra para nos curar e para arrancar da cova a nossa vida (cf. Sl 107,20), que “conforta os corações despedaçados”, que “enfaixa suas feridas e as cura”; Ele que “é o amparo dos humildes” (Sl 147).
Depois de descansar um pouco, “Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto” (Mc 1,35). A fonte de cura é o Pai e somente Ele. Com que frequência você tem tomado o remédio da oração? Há quanto tempo você não faz uso do remédio do silêncio? Que espaço você dá para que Deus se aproxime de você e possa tocar na sua ferida para curá-la? Você reconhece o quanto o perdão é fonte de cura? Até que ponto você não precisa se perdoar, ou perdoar alguém, ou perdoar Deus, para que a sua ferida possa se fechar? Por fim, lembre-se de que a aceitação também é um poderoso remédio: aceitar aquilo que eu não posso mudar; aceitar a minha história de vida; aceitar as perguntas que ainda não foram respondidas...
Um detalhe final: quando os discípulos dizem a Jesus: “Todos estão te procurando” (Mc 1,37), oportunidade ímpar para Jesus alimentar o seu ego, alargar grandemente o número de seus seguidores no Face, vender seus CD’s e livros e confirmar para Si mesmo o quanto Ele é bom, único e insubstituível no que faz – necessidade que Jesus em verdade nunca teve –, Ele diz: “Vamos a outros lugares... Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (Mc 1,38). É um alerta que Jesus faz a cada um de nós: Eu não vim para responder todas as suas perguntas, nem para curar todos os seus males, nem para resolver todos os seus problemas, nem para cancelar todas as suas fraquezas. Eu não vim para carregar você no colo, mas para ajudá-lo a se levantar e a caminhar com suas próprias pernas. E, quem sabe, você se disponha a me seguir e não só a usufruir da minha bênção, ajudando para que a alegria do meu Evangelho possa chegar a outros lugares aonde ela ainda não chegou...

Para sua oração pessoal: TOCAR EM TUAS VESTES (Adriana)

                                                                     Pe. Paulo Cezar Mazzi

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SÓ PODEMOS SER REDIMIDOS DO MAL QUE RECONHECEMOS HABITAR EM NÓS

Missa do 4º. dom. comum. Palavra de Deus: Deuteronômio 18,15-20; 1Coríntios 7,32-35; Marcos 1,21-28.

Um dos filmes mais sérios a respeito da possessão demoníaca de uma pessoa é “O exorcismo de Emily Rose” (2005). A narrativa, baseada em fatos reais, procura responder a uma pergunta: Por que Deus permitiria que uma pessoa fosse possuída pelo espírito maligno? E a resposta é: Para que o mundo não duvide da existência do mal. De fato, Emily Rose tem a opção de parar de sofrer e partir para o céu, mas ela escolhe ficar e sofrer até o fim os ataques do maligno em seu corpo, para que as outras pessoas se convençam de que o mal não é um personagem fictício, mas algo real e destrutivo.
Onde você pode encontrar o mau espírito hoje? Nos bailes funks? No tráfico de drogas? No PCC? Na Polícia? Nas Milícias? Nas favelas? No centro? Na periferia? Nos investidores estrangeiros? Nas empresas multinacionais? No Governo? Na oposição? Em Brasília? No mundo? Nas igrejas? O Evangelho que acabamos de ler/ouvir nos mostra que o mau espírito sempre nos surpreende: ele pode ser encontrado onde menos imaginamos – numa sinagoga, numa igreja, num templo, numa casa de Deus! Na verdade, o mau espírito pode ser encontrado onde se encontra o ser humano, quem quer que seja ele: rico ou pobre; sábio ou ignorante; crente, agnóstico ou ateu.
A cena do Evangelho nos revela que o mal pode se esconder no coração de toda e qualquer pessoa, mas há uma “coisa” que o faz sair do seu esconderijo: a Palavra de Deus. O evangelista Marcos afirma que Jesus, na sinagoga de Cafarnaum, ensinava a Palavra de Deus, e o fazia com autoridade (cf. Mc 1,22). De onde vinha a autoridade de Jesus? Da sua obediência ao Pai, da sua conformação à vontade (Palavra) do Pai. A autoridade de um pregador não é garantida pelo anel que ele usa no dedo, nem pela cadeira ou pela cátedra na qual ele se assenta, nem pelos paramentos que ele veste, nem pela impostação da sua voz, nem pela sabedoria humana das suas palavras. Um pregador só fala com autoridade quando ele mesmo se submete à Palavra que está anunciando aos outros, ou seja, quando ele é o primeiro a se esforçar por viver aquilo que está ensinando aos demais.
A Palavra de Deus revela como está o coração de quem a anuncia e de quem a escuta. Neste sentido, o apóstolo Paulo nos convida a ter um coração não dividido, ou seja, um coração que saiba permanecer diante do Senhor sem distrações, nem preocupações. A Escritura nos ensina que o nosso Deus é “Um”, o único Senhor (cf. Dt 6,4), ao passo que a palavra Diabo significa “aquele que divide”. Um coração unido a Deus é um coração unificado, integrado, harmonizado, pacificado, o que se traduz por saúde física, mental e espiritual. Por outro lado, quem se deixa arrastar pela sedução do diabo experimenta dentro de si divisão, desintegração, desarmonia, inquietação, tornando-se doente física, psicológica e espiritualmente.
Este homem possuído pelo mau espírito nos questiona: Quem ou o quê me possui? Quem ou o quê eu permito que tome posse de mim? O mato sempre toma conta de um terreno abandonado, mas nunca de um terreno cultivado. O que eu cultivo em mim: União ou divisão? Verdade ou mentira? Coerência ou incoerência? Diante do ensinamento de Jesus, o mau espírito grita. Seu grito é o grito de um fracassado, de um derrotado, de quem sabe que não pode nada contra Jesus. Mas o seu grito também é uma forma de querer nos impedir de ouvir a palavra de autoridade de Jesus.
O grito do mau espírito se traduz em palavras: “Viste para nos destruir?” (Mc 1,24). Sim! Jesus veio para destruir o mal, mas não para destruir quem está possuído pelo mal. Duas coisas precisam ser consideradas neste grito do maligno: 1) O grito do mau espírito é sempre uma tentativa de nos intimidar: ‘Não se aproxime de mim, porque eu te destruo!’ ‘Não tente me expulsar de você porque eu te machuco mais ainda!’; 2) O grito do mau espírito afirma saber quem somos. Ele diz a Jesus: “Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus” (Mc 1,24). Jesus é Santo porque separado do mau; Santo porque decidiu pertencer somente a Deus. Por isso, o mau espírito nunca encontrou lugar para se alojar dentro de Jesus. Mas nós somos santos e pecadores. O mau espírito conhece o ponto fraco de cada um de nós e é ali que ele nos visita e nos tenta. É ali que ele nos acusa de sempre fracassarmos em nossa busca de santidade, de coerência e de obediência à vontade do Pai.
Diante dos gritos do mau espírito, Jesus fala firme: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1,25). A voz do mau espírito se cala dentro de nós na medida em que escolhemos ouvir a voz de Jesus: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: ‘Não fecheis o vosso coração...’” (Sl 95,7-8). Dizer ao mau espírito: “Cale-se!” significa não dar ouvidos ao que ele nos diz, ao que ele nos sugere fazer. Porém, o mau espírito não aceita nos deixar facilmente. Ele resiste, nos machuca e a nossa libertação dele só se dá com muita determinação, luta e perseverança. “Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu” (Mc 1,26).
Quem estava na sinagoga exclamou, a respeito de Jesus: “ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” (Mc 1,27). Jesus tem poder sobre os espíritos maus porque vive debaixo do poder do Pai. O mal nunca consegue dominar quem se coloca diariamente sob o domínio de Deus. Os espíritos maus obedecem Jesus porque Ele obedece o Pai. Quem não vive na obediência a Deus não tem força contra o mal.
Examinemos o terreno do nosso coração: só é possível ser curado quem se reconhece doente. Não tenhamos medo de reconhecer o mal que também habita em nós. Não caiamos na tentação ilusória de eliminá-lo de nossa vida de uma vez por todas (fanatismo). Além disso, rezemos pelas pessoas que estão optando pelo mal (seitas satânicas, por exemplo), justificando que ‘o mal responde rápido; Deus demora’. Não tenhamos medo de nos colocar diariamente diante da Palavra de Deus, cuja verdade sempre faz a nossa mentira vir à tona. Lembremos do que disse Santo Agostinho: “A palavra de Deus é o inimigo da tua vontade, até tornar-se originador da tua salvação. Então, a palavra de Deus também estará em harmonia contigo”.

Para a sua oração pessoal: Pelo poder da Tua palavra (Diego Fernandes)

                                                                       Pe. Paulo Cezar Mazzi

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

OU VOCÊ MUDA, OU ACABARÁ SE DESTRUINDO

Missa do 3º. dom. comum. Palavra de Deus: Jonas 3,1-5.10; 1Coríntios 7,29-31; Marcos 1,14-20.

“A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas pela segunda vez” (Jn 3,1), já que na primeira vez ele não aceitou a missão de anunciar a Palavra à cidade de Nínive. Quantas vezes temos ouvido a Palavra de Deus, mas permanecemos no mesmo lugar, sem nos mover, sem nos dispor a mudar, a nos converter? Quantas vezes ainda será necessário que Deus fale com você, até que decida obedecê-Lo? “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída” (Jn 3,4). Quanto tempo você tem? Quanto tempo você acha que tem para mudar? Quando tempo você acha que a humanidade tem para parar de se destruir? Há um tempo para você mudar, mas este tempo está abreviado (cf. 1Cor 7,29). Seja por meio de Jonas (1ª. leitura), de Paulo (2ª. leitura), ou de Jesus (Evangelho), este é recado de Deus hoje, para cada um de nós: Ou você muda de comportamento, ou será destruído! Ou você muda de atitude, ou seu relacionamento, sua família, sua vida profissional, sua saúde, sua fé etc. serão destruídos! Os ninivitas, ouvindo isso, acreditaram em Deus, se afastaram do mau caminho e foram salvos. Quando é que você vai decidir fazer o mesmo, ou você é do tipo que acha que são os outros que estão no mau caminho, não você?  
“O tempo está abreviado” (1Cor 7,29). Nós temos a forte sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido. De fato, as 24 horas do dia são sentidas como se fossem apenas 16. Nós reclamamos que não temos tempo, mas ao mesmo tempo, desperdiçamos tempo! Quanto tempo perdemos no Face, no WhatsApp, na internet? Quanto tempo desperdiçamos com coisas fúteis? Jesus disse: “O tempo já se completou” (Mc 1,15). O tempo da espera, o tempo da promessa passou; vivemos agora o tempo do cumprimento, quando Jesus diz: “Eis que eu estou à porta e bato...” (Ap 3,20). “Estou” – tempo presente, no qual devemos tomar uma decisão: abrir ou manter a porta fechada.
Se existe algum risco para a nossa conversão, para a nossa salvação, não é tanto a falta de tempo para mudar, mas a distração. A questão não é que talvez não tenhamos tempo suficiente para mudar nosso comportamento, mas o fato de que muitas vezes jogamos fora o tempo de que dispomos porque vivemos distraídos, alienados e anestesiados, sobretudo pelos meios de comunicação. Paulo disse que “o tempo está abreviado” (1Cor 7,29) porque “a figura deste mundo passa” (1Cor 1,31), e o nosso grande engano tem sido o de nos conformar com o mundo, ou seja, de adotar a forma do mundo, de um mundo que está destinado a desaparecer, a passar.  
Jesus nos convida a dirigir nosso olhar não para o que está passando, mas para o que está chegando: “(...) o reino de Deus está próximo” (Mc 1,15). Aproxima-se a chegada do Reino de Deus; aproxima-se o confronto da vida de cada um de nós com a verdade de Deus, o momento onde tudo o que não está em Deus desaparecerá e só permanecerá aquilo que está em Deus, como diz a Escritura: “O mundo passa com suas paixões; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2,17). Diante da chegada do Reino de Deus, Jesus clama: “Convertam-se e creiam no evangelho!” (Mc 1,15).
Existe hoje uma multiplicidade de pregadores do evangelho. Quantos deles falam da necessidade de conversão? Quantos deles têm a coragem que Pedro teve de anunciar, no dia de Pentecostes: “Salvem-se desta geração perversa!” (At 2,40)?  Não nos enganemos! Anunciar a necessidade de conversão é tarefa difícil, porque aquele que fala de conversão é visto como um portador de más notícias, uma espécie de estraga-prazer, um pessimista... Não por nada, muitas igrejas, para atraírem adeptos, se adaptam. Desse modo, elas se tornam tão doentes quanto o mundo, quando a missão de cada igreja é justamente a de oferecer cura a um mundo que se torna cada dia mais doente...
Jonas, Paulo, Simão, André, Tiago e João: pessoas chamadas por Deus para se tornarem salvadores de outras pessoas. Hoje Deus dirige esse chamado a cada um de nós. Nossa conduta deve ser aquela de Paulo: “Para os fracos, eu me fiz fraco, a fim de salvar os fracos. Tornei-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a todo custo” (1Cor 9,22). Contudo, não nos esqueçamos de que a conversão é uma tarefa contínua: todos os dias você é chamado a ajustar a sua vida, a rever o rumo que está tomando à sua existência, a reorientar o seu coração para Deus. Hoje, especialmente, você pode se perguntar: Há algo que está ameaçando me destruir? Estou descuidando da minha própria salvação? O quanto eu estou apegado à figura passageira deste mundo? Eu me preocupo com a salvação das outras pessoas? Sou para elas um sinal de conversão?

Sugestão de música para a sua oração pessoal: Converte-me, Senhor (Diego Fernandes)

                                                                       Pe. Paulo Cezar Mazzi