sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

QUAL RUMO VOCÊ PRETENDE DAR À SUA VIDA EM 2017?

Missa Maria, Mãe de Deus. Palavra de Deus: Números 6,22-27; Gálatas 4,4-7; Lucas 2,16-21.
    
            Nesta noite (ou neste dia) em que começamos a viver um novo ano, uma pergunta torna-se necessária: Que rumo você pretende dar à sua vida neste novo ano? Que rumo você gostaria de dar à sua vida afetiva (relacionamentos), profissional (financeira) ou espiritual, neste ano de 2017? O rumo que damos à nossa vida depende do que desejamos alcançar; depende de onde queremos chegar... Por isso, é importante lembrar esta verdade: “Se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve” (Lewis Carroll). Se você não toma a sua vida nas mãos e não assume a responsabilidade por suas escolhas e decisões, viverá o ano de 2017 como uma folha seca, jogada de um lado para o outro pelo vento do acaso...
            É verdade que o rumo que escolhemos dar à nossa vida, seja em que sentido for, também é afetado a partir de fora, pela situação política e econômica do nosso país; no entanto, é muito importante que cada um de nós tenha um desejo, um objetivo, uma meta; que cada um de nós saiba para onde quer ir com sua vida. Isso nos ajuda a fazer escolhas e tomar decisões segundo os valores que devem orientar a nossa consciência e o nosso coração, ao invés de simplesmente ‘seguirmos o fluxo’, vivendo como ‘massa de manobra’ e permitindo que o mundo nos ‘deforme’ segundo a sua própria desorientação.    
            Ao iniciarmos um novo ano, o apóstolo Paulo nos coloca diante de uma palavra sempre presente nos lábios e no coração de Jesus, em seu relacionamento com Deus: a palavra “Abbá”, que significa “Papai”. Paulo nos convida a rejeitar a identidade que o mundo quer nos impor a partir de fora, a identidade de escravos: escravos do medo, da insegurança e da superstição; escravos do consumismo, das drogas e do dinheiro; escravos da tecnologia, da vaidade e da ignorância religiosa. Eis as palavras do apóstolo: “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: ‘Abbá! Pai!’ Portanto, você já não é escravo, mas filho” (Gl 4,6-7).
            A palavra “Abbá/Papai!” deve estar presente em seus lábios e em seu coração em cada passo, nessa nova estrada que se abre diante de você, que é o ano de 2017. ‘Eu não sou uma pessoa órfã, jogada ao acaso neste mundo. Papai me guia, me orienta, me protege. Papai me sustenta; às vezes, quando é necessário, me carrega no colo; outras vezes, Ele me lembra que eu tenho duas pernas sobre as quais me sustentar em pé e com as quais caminhar como uma pessoa adulta, sem fazer corpo mole. Papai também me corrige, permitindo que eu sofra a consequência de meus erros para que eu possa aprender o que preciso aprender. Papai constantemente me recorda que Ele é Papai de todos os seres humanos; portanto, todos os homens são meus irmãos; todos, sem nenhuma exceção’.
            Para o mundo bíblico, a única “coisa” que mantém um filho vivo, realizado, em paz e feliz, é a bênção de seu pai. Por isso, cada um de nós, filho/filha de Deus, é convidado a se colocar sob a bênção do nosso Abbá/Papai, invocando também esta bênção sobre todo ser humano, especialmente sobre aqueles que, por causa das guerras, dos conflitos, da violência, das perseguições; por causa de algum tipo de injustiça, da doença, da fome ou do desemprego, não estão conseguindo saber para onde ir com sua vida; sobre todos estes, especialmente, nós invocamos a bênção do nosso Abbá/Papai: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz” (Nm 6,24-26).
O dia 1º. de janeiro é o dia mundial da paz. Na sua mensagem para este dia, o Papa Francisco nos convida a fazer “da não violência ativa o nosso estilo de vida... Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não violência tornar-se o estilo característico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações...”. Segundo Francisco, a humanidade vive hoje uma espécie de “guerra mundial aos pedaços... Esta violência que se exerce ‘aos pedaços’, de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental... A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado”. Por fim, o nosso Papa afirma que “nenhuma religião é terrorista. A violência é uma profanação do nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra” (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2017).
Voltando nosso coração para o Evangelho de hoje, somos convidados a aprender com Maria a meditar e conservar no coração todas as coisas, procurando perceber nos acontecimentos os apelos de Deus, a voz do Seu Espírito nos falando, nos conduzindo para fora dos nossos horizontes fechados, nos ajudando a reencontrar o rumo que devemos dar à nossa vida, para que ela possa atingir a meta que Deus deseja para nós, para toda a humanidade: a comunhão com Seu Filho Jesus Cristo e sua salvação.
Oito dias depois de seu nascimento, o Filho de Deus nascido de Maria recebeu o nome de Jesus, que significa “Deus salva”. Nós, seres humanos, temos consciência de que precisamos ser salvos? Onde e de que forma costumamos buscar nossa salvação? A salvação do filho está na presença do Pai junto de si. Se Jesus, ao nascer, nos deu a bênção da filiação adotiva e, por meio d’Ele, podemos chamar a Deus de Abbá/Papai, o Pai, por sua vez quis fazer da presença de seu Filho junto a nós a presença da Sua própria salvação. Que estes dois nomes estejam em nossos lábios e em nosso coração ao longo deste novo ano: pelo nome “Abbá/Papai”, afirmamos a consciência da nossa filiação divina, e pelo nome “Jesus” invocamos a salvação do Pai sobre cada um de nós, sobre cada filho Seu.

                        Pe. Paulo Cezar Mazzi

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