quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

CURADOS PARA AJUDAR A CURAR UMA HUMANIDADE CADA VEZ MAIS DOENTE

Missa do 5º. dom. comum. Palavra de Deus: Jó 7,1-4.6-7; 1Cor 9,16-19.22-23; Marcos 1,29-39.

A Palavra que hoje ouvimos se inicia com o desabafo de Jó, um homem ferido por uma grave doença, cujos dias se consomem sem esperança, e se conclui com Jesus curando muitas pessoas de diversas doenças. Quantas pessoas você conhece que estão doentes? Quantos de nós, aqui, estamos doentes? Quantas pessoas não aceitam admitir que estão doentes e precisam de ajuda? Apesar de todo avanço da ciência, da medicina e da tecnologia, o câncer e a depressão se dissipam e atingem pessoas de todas as idades e de todas as classes sociais, para mencionar apenas essas duas enfermidades.  
A doença pode surgir em nosso corpo, ou em nossa alma ou ainda em nosso espírito, mas ela se faz sentir em todo o nosso ser. Às vezes, a raiz da doença se encontra fora de nós. Aqui pensamos não só em algum tipo de contaminação, mas nas pressões que a sociedade moderna exerce sobre nós: exigências do mercado, inversão de valores, consumismo etc. Mas, às vezes, a raiz da doença está dentro de nós: a forma como lidamos conosco mesmos, com os outros e com os acontecimentos.
Quer venha de fora, quer venha de dentro, a doença é um grito que precisamos ouvir e que pode estar nos dizendo: ‘Você está agindo contra a sua natureza’; ‘Você está desconsiderando os seus próprios limites’; ‘Você está se distanciando cada vez mais da sua verdade’; ‘Você precisa parar e rever as suas prioridades’; ‘Você se tornou escravo do dinheiro, dos bens materiais, da tecnologia, da pressa’; ‘Você gasta um bom tempo cuidando do seu corpo, mas diz não ter tempo para cuidar da sua alma e do seu espírito’; ‘Você precisa ouvir seus sentimentos e encarar os seus conflitos internos’...
            Um dos males que atualmente está nos adoecendo é o PESSIMISMO. Assim como Jó, constatamos que a vida de todo ser humano é uma luta sobre a terra: luta pela sobrevivência, por um lugar no mercado de trabalho, pela família, pela formação dos filhos etc. Muitas vezes, o resultado dessa luta é frustrante: “meses de decepção” e “noites de sofrimento” – quantos de nós estamos sofrendo de insônia? Os dias correm rápido, sem que possamos assimilar tudo o que nos acontece. Muitas perguntas vão ficando sem respostas, muitos projetos que começamos vão ficando inacabados porque outras exigências ou urgências surgiram. Desse modo, temos a sensação de que nossos dias “se consomem sem esperança” de uma melhora, de uma solução, de um final feliz. Contaminados pelo pessimismo, chegamos à conclusão de que a nossa vida “é apenas um sopro” e nós não voltaremos “a ver a felicidade”.
Diversas vezes o Papa Francisco tem dito que precisamos dizer NÃO ao pessimismo, NÃO ao que ele chama de “psicologia do túmulo”. “A ânsia moderna de chegar a resultados imediatos faz com que os agentes pastorais não tolerem facilmente tudo o que signifique alguma contradição, um aparente fracasso, uma crítica, uma cruz... Desenvolve-se a psicologia do túmulo... Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a se apegar a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como o mais precioso ‘elixir do demônio’. Chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico... Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (A alegria do Evangelho 82-83).
Assim como Jesus segurou a mão da sogra de Pedro e a ajudou a se levantar, assim Ele segura a nossa mão hoje para nos ajudar a nos levantar do túmulo do pessimismo e nos colocar a serviço da vida e da esperança, certos de que a cura, a libertação, a vitória, a superação, a mudança, a transformação nossa e da sociedade humana se dá sempre a partir da cruz, nunca sem ela. Desse modo, os olhos da nossa fé se dirigem para o Senhor, que sempre nos envia sua Palavra para nos curar e para arrancar da cova a nossa vida (cf. Sl 107,20), que “conforta os corações despedaçados”, que “enfaixa suas feridas e as cura”; Ele que “é o amparo dos humildes” (Sl 147).
Depois de descansar um pouco, “Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto” (Mc 1,35). A fonte de cura é o Pai e somente Ele. Com que frequência você tem tomado o remédio da oração? Há quanto tempo você não faz uso do remédio do silêncio? Que espaço você dá para que Deus se aproxime de você e possa tocar na sua ferida para curá-la? Você reconhece o quanto o perdão é fonte de cura? Até que ponto você não precisa se perdoar, ou perdoar alguém, ou perdoar Deus, para que a sua ferida possa se fechar? Por fim, lembre-se de que a aceitação também é um poderoso remédio: aceitar aquilo que eu não posso mudar; aceitar a minha história de vida; aceitar as perguntas que ainda não foram respondidas...
Um detalhe final: quando os discípulos dizem a Jesus: “Todos estão te procurando” (Mc 1,37), oportunidade ímpar para Jesus alimentar o seu ego, alargar grandemente o número de seus seguidores no Face, vender seus CD’s e livros e confirmar para Si mesmo o quanto Ele é bom, único e insubstituível no que faz – necessidade que Jesus em verdade nunca teve –, Ele diz: “Vamos a outros lugares... Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (Mc 1,38). É um alerta que Jesus faz a cada um de nós: Eu não vim para responder todas as suas perguntas, nem para curar todos os seus males, nem para resolver todos os seus problemas, nem para cancelar todas as suas fraquezas. Eu não vim para carregar você no colo, mas para ajudá-lo a se levantar e a caminhar com suas próprias pernas. E, quem sabe, você se disponha a me seguir e não só a usufruir da minha bênção, ajudando para que a alegria do meu Evangelho possa chegar a outros lugares aonde ela ainda não chegou...

Para sua oração pessoal: TOCAR EM TUAS VESTES (Adriana)

                                                                     Pe. Paulo Cezar Mazzi

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