quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

PARE DE RETARDAR SUA MUDANÇA!

 Missa do 3º dom. comum. Palavra de Deus: Jonas 3,1-5.10; 1Coríntios 7,29-31; Marcos 1,14-20.

 

            O que você faria se recebesse um diagnóstico médico de que tem somente dois meses de vida? Normalmente, quando as pessoas se dão conta de que têm pouco tempo de vida, decidem fazer mudanças que nunca tiveram coragem de fazer: decidem perdoar ou pedir perdão, decidem admitir verdades que nunca admitiram, decidem se abrir para Deus, decidem falar o que nunca tiveram coragem de falar, decidem romper com uma situação de pecado que sempre as acompanhou durante toda a vida...

            Ao longo da nossa existência, vamos tomando consciência de que precisamos mudar, precisamos nos corrigir, precisamos abandonar certos hábitos que fazem mal a nós mesmos, à nossa família, ao mundo em que vivemos. No entanto, a maioria protela a mudança, seja porque não quer perder os ganhos secundários que as atitudes erradas lhe proporcionam, seja porque mudar dá trabalho; exige firmeza, perseverança, renúncia, luta consigo mesmo.

            Só um choque de realidade é capaz de nos tirar da nossa fantasia; só a evidência da destruição pode nos fazer mudar as atitudes que estão nos destruindo; só a consciência da morte pode nos fazer repensar a maneira como vivemos nossa vida até hoje; só a certeza de que o tempo que temos aqui é muito mais curto do que imaginamos pode nos fazer rever nossos valores e nossas atitudes.

            Nínive, capital da poderosa Assíria, fazia e acontecia; achava-se imune a qualquer calamidade, a qualquer risco de destruição. Mas ela foi derrubada da sua ilusão de onipotência ao ouvir a pregação de Jonas: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída” (Jn 3,4). Jonas deixou os ninivitas conscientes de que, se não mudassem suas atitudes, seriam destruídos pelo mal que causavam com o seu estilo de vida egoísta e individualista. Os ninivitas aceitaram fazer um doloroso processo de mudança e salvaram a si mesmos e à cidade.  

            Muitas coisas ruins têm acontecido. No entanto, mesmo com o mundo “desabando” à nossa volta, nós seguimos na correria da nossa vida com a ilusória pretensão de achar que o mal que atinge os outros nunca nos atingirá. Esquecemos do alerta de Jesus: “Se vocês não se converterem, morrerão todos do mesmo modo” (Lc 13,3). Todos nós sabemos que algo precisa mudar no mundo, nas pessoas, nas empresas, nas famílias, nas igrejas, mas quem de nós está disposto a mudar? Mudar dá trabalho e exige esforço, constância, paciência, perseverança, e a nossa geração não tem tolerância com processos. Os ninivitas tiveram um tempo de quarenta dias para mudar suas atitudes, e souberam aproveitar esse tempo. Nós, muitas vezes, não tomamos a decisão de mudar porque achamos que vamos ter tempo para isso depois, e nos esquecemos de que “o tempo está abreviado” (1Cor 7,29).

            O que o apóstolo Paulo quer dizer com “tempo abreviado”? O mesmo que Jesus: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15). A história humana não está nas mãos do acaso, nem das pessoas que pensam determinar os rumos da humanidade. Deus é o Senhor do tempo e da história. Quando Jesus afirma que o Reino de Deus está próximo está se referindo à intervenção final que Deus fará na história humana, intervenção que consiste em exercer um julgamento, separando o justo do injusto e pondo fim ao mal. Portanto, essa intervenção significa condenação para os injustos e salvação definitiva para os justos.

            “O tempo está abreviado” (1Cor 7,29). Nós não temos o tempo que pensamos ter para somente depois fazermos as mudanças que sabemos serem necessárias em nossa vida. Daí o apelo de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15). Não há ninguém que não precise mudar em algum aspecto da sua vida. Essa mudança deve ser guiada pelo Evangelho. Ele é “força de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1,16). Se “a figura deste mundo passa” (1Cor 7,31), o Evangelho é Palavra eterna e também palavra de Vida eterna.

            Três questões: 1) O que está correndo o risco de ser destruído em minha vida por falta de uma decisão firme da minha parta de mudar? 2) O que eu tenho feito do meu tempo? 3) Diante da certeza de que Deus intervirá na história, como Ele me encontrará: como uma pessoa justa a ser levada para o seu Reino ou como uma pessoa injusta a ser condenada à destruição?

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi



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