quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

E ENTÃO JESUS ME DISSE: "VEM, SEJA A MINHA LUZ!"

 Homilia do 3º dom. comum. Palavra de Deus: Isaías 8,23b – 9,3; 1Coríntios 1,10-13.19; Mateus 4,12-23.

 

            “Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia” (Mt 4,12), região chamada de “Galileia dos pagãos!” (Mt 4,15). João era a voz, mas Jesus é a Palavra. Se a voz foi proibida de falar em público, a Palavra, portadora da vida e de salvação, não pode se calar. Portanto, Jesus decide iniciar sua missão no exato momento em que João é silenciado.

            Na sua exortação apostólica sobre a santidade, o Papa Francisco afirmou que a existência de cada um de nós contém uma palavra única de Deus para a humanidade. O lugar onde vivemos também é a “Galileia dos pagãos”, ou seja, um local que necessita ouvir a Palavra que é Cristo, e que falará aos corações que necessitam de fé, de esperança e de sentido de vida. Cristo falará a esses corações por meio da nossa humanidade, e nós faremos ecoar a Palavra que é Cristo por meio das nossas atitudes, principalmente.

            O evangelista Mateus entende que o início da missão de Jesus na “Galileia dos pagãos” é o cumprimento da profecia de Isaías: “O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9,1). Aonde a sua luz é necessária? Exatamente aonde há pessoas vivendo na escuridão e morando nas sombras da morte. Quanto mais a escuridão cresce à nossa volta, mas precisamos ser luz. Você é luz quando visita um idoso que vive na solidão em sua casa ou num asilo; quando visita uma pessoa enferma em sua casa ou no hospital. Você é luz quando leva a luz do Evangelho diário a um colega de trabalho; quando faz uma postagem que ajuda as pessoas a saírem das trevas da desorientação política e também religiosa.

                A primeira pregação de Jesus foi: “Convertam-se, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). Conversão significa mudar a maneira de pensar e de enxergar as coisas. A maioria de nós vive no piloto automático. Ao invés de pensar e refletir, para somente depois agir, nós simplesmente reagimos ao que vemos, ouvimos e sentimos. Por isso, não escolhemos o nosso próprio caminho, mas seguimos o fluxo que a maioria está seguindo no momento. A mudança de mentalidade é necessária por causa do Reino dos Céus. Este Reino significa que o eterno é mais importante do que o transitório; o bem real é mais importante que o bem aparente; ser salvo é mais importante do que ser feliz momentaneamente.  

             “Vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão... Vamos precisar de todo mundo; um mais um é sempre mais que dois” (Beto Guedes, O Sal da Terra). Jesus não realizou a sua missão sozinho, mas chamou discípulos. O Evangelho nos apresenta o chamado de quatro pescadores: Pedro, André, Tiago e João. Jesus chamou esses homens no local de trabalho deles. Eles não pescavam por esporte, mas por sobrevivência. Nenhum de nós trabalha por esporte, mas para sobreviver. Jesus nos desafia a trabalhar por algo muito maior: a salvação das pessoas à nossa volta.

               “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mt 4,19). O mar simboliza as forças do mal, que busca destruir as pessoas e tudo o que elas mais amam. O Evangelho é a rede que devemos lançar para resgatar as pessoas das situações que as destroem, sobretudo espiritualmente. Por que tantas vidas destruídas, tantos casamentos destruídos, tantas empresas destruídas, tantas crianças, adolescentes e jovens adoecidos e destruídos? Porque muitos cristãos desistiram de lançar suas redes e decidiram eles mesmos se afogar no mar da indiferença para com o mundo. Muitos não entenderam que a missão da Igreja não é condenar o mundo, mas salvá-lo.

                Alguns questionamentos: Aonde a minha vida está se desenvolvendo, neste momento? Por que Deus não me colocou na capital, Jerusalém, mas na periferia, neste lugar desprezível, chamado “Galileia dos pagãos”? Eu me deixo sensibilizar pelas pessoas que estão adoecendo nas trevas e nas sombras da morte? Cristo é luz: eu me exponho diariamente a essa luz, ou prefiro continuar acomodado(a) na sombra escura do meu vitimismo? O centro da pregação de Jesus é o Reino de Deus: eu olho para o alto e busco o eterno, ou vivo com a cabeça enterrada na enganadora aparência deste mundo? Jesus chamou seguidores: eu uso as redes sociais para levar pessoas a Cristo, ou para eu ganhar seguidores? Minha prioridade é trabalhar para sobreviver/enriquecer, ou eu também trabalho para que o Evangelho chegue às pessoas que estão sempre mais mergulhadas no mal?

 

Um dia escutei Teu chamado, divino recado batendo no coração. Deixei deste mundo as promessas e fui bem depressa no rumo da Tua mão. Tu és a razão da jornada.

Tu és minha estrada, meu guia, meu fim. No grito que vem do Teu povo Te escuto de novo, chamando por mim! (bis)

            Embora tão fraco e pequeno, caminho sereno com a força que vem de Ti. A cada momento que passa, revivo esta graça de ser Teu sinal aqui! Tu és minha estrada, meu guia, meu fim. No grito que vem do Teu povo Te escuto de novo, chamando por mim! (bis)

 

Pe. Paulo Cezar Mazzi

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