Homilia
do 3º dom. comum. Palavra de Deus: Isaías 8,23b – 9,3; 1Coríntios 1,10-13.19;
Mateus 4,12-23.
Após João Batista ser silenciado por
Herodes, Jesus inicia a sua missão de evangelizar, escolhendo, para tanto, uma
região desprezível, chamada “Galileia dos pagãos!” (Mt 4,15). Na sua exortação
apostólica sobre a santidade, o Papa Francisco afirmou que a existência de cada
um de nós contém uma palavra única de Deus para a humanidade. O lugar onde
vivemos também é a “Galileia dos pagãos”, ou seja, um local que necessita ouvir
a Palavra que é Cristo, e que falará aos corações que necessitam de fé, de
esperança e de sentido de vida.
O evangelista Mateus entende que o
início da missão de Jesus cumpre a profecia de Isaías: “O povo, que andava na
escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma
luz resplandeceu” (Is 9,1). Aonde a nossa luz é necessária? Exatamente aonde há
pessoas vivendo na escuridão e morando nas sombras da morte. Você é luz quando
visita um idoso que vive na solidão em sua casa ou num asilo; quando visita uma
pessoa enferma em sua casa ou no hospital. Você é luz quando leva a luz do
Evangelho diário a um colega de trabalho; quando faz uma postagem que ajuda as
pessoas a saírem das trevas da desorientação política e também religiosa.
A primeira pregação de Jesus foi:
“Convertam-se, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). Conversão
significa mudar a maneira de pensar e de enxergar as coisas. Nós vivemos
excessivamente presos ao que é terreno, esquecendo-nos do Reino dos Céus. Este
Reino significa que o eterno é mais importante do que o transitório; o bem real
é mais importante que o bem aparente; ser salvo é mais importante do que ser
feliz momentaneamente.
Jesus não realizou a sua missão sozinho,
mas chamou discípulos. O Evangelho nos apresenta o chamado de quatro
pescadores: Pedro, André, Tiago e João. Jesus chamou esses homens no local de
trabalho deles: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mt 4,19).
O mar simboliza as forças do mal, que buscam destruir as pessoas e tudo o que
elas mais amam. Por que tantas vidas destruídas, tantos casamentos destruídos,
tantas empresas destruídas, tantas crianças, adolescentes e jovens adoecidos e
destruídos? Porque muitos cristãos desistiram de lançar suas redes e decidiram
eles mesmos se afogar no mar da indiferença para com o mundo. Muitos não
entenderam que a missão da Igreja não é condenar o mundo, mas salvá-lo.
Hoje é o Domingo da Palavra de Deus em
nossa Igreja. O Papa Francisco instituiu esse dia para lembrar a centralidade
da Palavra de Deus em nossas celebrações, centralidade que deveria estar presente
em nossa vida, no dia a dia. Na celebração do domingo nós ouvimos a Palavra; na
medida em que a interiorizamos, nos tornamos capazes de levar uma palavra de
conforto à pessoa abatida (cf. Is 50,4), durante a semana.
Alguns questionamentos: Eu tenho
consciência de que, onde eu vivo, estudo e trabalho, ali está a minha missão? Eu
enxergo as pessoas que estão adoecendo nas trevas e nas sombras da morte? Eu
procuro levar uma palavra de conforto a quem está abatido, desorientado ou
desanimado? Eu creio no Reino de Deus? Falo dele para as pessoas? Quem visualiza
minhas postagens nas redes sociais percebe que sou um(a) discípulo(a) de Jesus,
ou uma pessoa que faz postagens na esperança de ter muitos seguidores? Eu
aceito o chamado de Jesus para ajudá-Lo a resgatar pessoas do mar da destruição
em que costumam mergulhar?
Pe.
Paulo Cezar Mazzi
Oração do Domingo da Palavra de Deus:
Pai da Luz, nós vos
louvamos e bendizemos por todos os sinais do vosso amor. Especialmente a cada
domingo nos chamais a ouvir a Palavra que salva. Jesus Cristo, que é a vossa
Palavra feita homem nos leve ao conhecimento do mistério escondido aos sábios e
inteligentes e revelado aos pequeninos. Concedei-nos abrir o coração para
compreender o sentido das Sagradas Escrituras. Fazei que nos tornemos
testemunhas vivas do Evangelho. Que Maria, Mãe da Sabedoria, interceda por nós,
ela que foi a primeira a acolher no seu seio o Verbo que se fez carne. Que o
vosso Espírito Santo conceda a cada um de nós a graça de colaborar no anúncio
da vossa Palavra, para glória do vosso nome e salvação da humanidade. Por
Cristo, nosso Senhor. Amém.
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